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Governo sueco pede mais poderes para enfrentar coronavírus

Para enfrentar a pandemia, a Suécia impôs menos restrições que boa parte dos países ocidentais, mas as autoridades já discutem novos rumos

O governo da Suécia apresentou nesta segunda-feira (6/4) um projeto de lei que, se aprovado, deve fortalecer seus poderes para enfrentar o novo coronavírus. Para conter a disseminação da covid-19, infecção respiratória causada pelo vírus, as autoridades solicitaram aval para decretar medidas que hoje dependem de aprovação do Parlamento, como limitações mais severas para reuniões públicas ou ordens para o fechamento do comércio.

“A Suécia e o mundo estão enfrentando uma situação grave causada pelo coronavírus”, disse, em comunicado a ministra da Saúde, Lena Hallengren. “Vemos a necessidade de sermos capazes de agir rapidamente, caso a situação exija. Trata-se de proteger vidas humanas.” A proposta é que as regras de exceção tenham validade de três meses.

Para enfrentar a pandemia, a Suécia adotou uma estratégia menos restritiva que a de seus vizinhos nórdicos e também que a de boa parte dos países ocidentais. Escolas, bares, restaurantes e cinemas seguiram em funcionamento, apenas para citar alguns exemplos.

Como o Scandinavian Way relatou no dia 31/3, em parte, a abordagem sueca deve-se ao modo como suas agências públicas funcionam. Com as agências blindadas contra ingerência política, são elas que apontam a direção técnica a ser adotada pelo governo. Na crise do coronavírus, as ações na área médica são encabeçadas pela Folkhälsomyndigheten, a Agência de Saúde Pública sueca.

Abordagem divide opiniões

No entanto, a abordagem adotada pelo país tem dividido opiniões desde o início da crise. Um dos argumentos dos críticos é o número de vítimas. Entre os nórdicos, a Suécia lidera em registros absolutos de casos da doença (7.206 até esta segunda-feira) e mortes (477). Além disso, o coronavírus tem sido mais letal no país também em termos proporcionais. Em média, 6,61 pessoas que contraem a covid-19 na Suécia acabam morrendo. O número é maior que os de Dinamarca (3,83), Noruega (1,29), Finlândia (1,24) e Islândia (0,38).

Sobre a abordagem sueca, uma coisa é certa: as autoridades jamais subestimaram a gravidade da pandemia. No último sábado (4/4), o primeiro-ministro Stefan Löfven declarou que o número de casos graves da doença vai multiplicar a demanda por tratamento intensivo nos hospitais. “Nós vamos enfrentar milhares de mortes, e temos de nos preparar para isso”, disse ele ao jornal Dagens Nyheter.

No domingo, o próprio rei Carlos XVI Gustavo foi à TV fazer um pronunciamento para pedir que as pessoas não viajem no feriado de Páscoa. “Nós temos que repensar e nos preparar para ficarmos em casa. Isso pode nos entristecer um pouco, mas haverá outros feriados de Páscoa”, discursou. Com a pandemia, não viajar na Páscoa – data que, tradicionalmente, é de passeio para muitos suecos – “é um pequeno sacrifício”, declarou o monarca.

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