Suecos criam torre eólica com madeira “mais forte que o aço”

Empresa Modvion criou torre de madeira para parques eólicos (ainda) mais limpos - e já garantiu recursos para produção em escala comercial

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A energia eólica pode ficar ainda mais limpa com ao adotar torres de madeira como a criada pela empresa sueca Modvion
A torre de madeira da Modvion: a empresa já tem pedidos de torres de até 150 metros de altura (Foto: Modvion / divulgação)

Uma das grandes novidades na geração de energia eólica vem de uma velha conhecida de cientistas e engenheiros que estudam alternativas de energia limpa: a madeira. A empresa sueca Modvion criou uma torre para as fazendas de geração de eletricidade a partir de madeira ultrarresistente, material emite muito menos CO2 do que o aço e a fibra de vidro, matérias-primas que hoje dominam a indústria.

Agora, menos de dois meses depois da apresentar a inovação, a companhia acaba de conseguir um financiamento de € 6,5 milhões (R$ 37,5 milhões) para desenvolver a tecnologia em escala comercial. Os recursos foram aprovados pelo EIC Accelerator, programa de financiamento de inovação da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia.

No fim de abril, a Modvion instalou uma torre na ilha de Björkö, na região de Gotemburgo, cidade-sede da empresa. Segundo Otto Lundman, CEO da Modvion, o material da estrutura é “mais forte que o aço“. A torre de geração eólica, criada para ser usada em novas pesquisas sobre essa fonte de energia limpa, foi feita a partir de um pedido do Centro Sueco de Tecnologia de Energia Eólica, ligado à universidade Chalmers.

A torre tem 30 metros de altura, mas, segundo a companhia, é possível criar estruturas muito maiores que o primeiro modelo. A Modvion já assinou memorandos de entendimentos para fornecer as torres a duas geradoras de energia eólica suecas. A Varberg Energi receberá uma de 110 metros de altura e a Rabbalshede Kraft, dez unidades, cada uma com ao menos 150 metros de altura.

Mais leves, menos poluentes

As torres foram desenvolvidas a partir do espruce, conífera bastante comum no norte da Europa. Entre suas vantagens, explica Lundman, está o fato de serem mais leves – produzidas em módulos de madeira laminada. Isso facilita seu transporte e também permite que as estruturas alcancem pontos bastante elevados; na energia eólica, a altura das torres é um diferencial competitivo. Além disso, ao contrário do aço, que gera muitos  poluentes durante sua produção, a madeira captura dióxido de carbono durante o crescimento da árvore.

As projeções atuais são de que os ventos passem a ser a principal fonte de energia da UE já em 2027 – e os suecos estão entre os líderes dessa transição. Só a fazenda eólica de Markbygden, que está em construção e será a maior da Europa a instalada em terra firme, consumirá US$ 8 bilhões. Suas mais de mil turbinas, que devem estar todas rodando em 2026, produzirão 8% de toda a demanda da Suécia por energia.

Até a adoção do aço e da fibra de vidro, a madeira fez parte do desenvolvimento da energia eólica. O material fez parte, por exemplo, da estrutura da primeira turbina a produzir eletricidade a partir do vento, ainda no século 19. Ela foi construída em 1887 pelo engenheiro escocês James Blyth.

1 COMENTÁRIO

  1. Aqui no Brasil temos ventos e muita capacidade de realizar. Em breve teremos propostas para cidades e bairros como o Lago Norte de Brasília, bem como nos locais altos do Parque Nacional de Brasília.

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