Suécia mostra à indústria musical saídas para o pós-coronavírus

Na terra do Spotify, os artistas independentes têm cada vez mais peso no mercado da música, que procura caminhos para se refazer da pandemia

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O Spotify ajudou a popularizar o streaming, formato que hoje lidera as receitas da indústria musical - e ganhou mais espaço com o coronavírus
Liderança sueca: o Spotify ajudou a popularizar o streaming, formato que hoje domina as receitas do setor no mundo (Foto: Puria Berenji)

Ao impedir aglomerações em apresentações ao vivo, o novo coronavírus vai exigir mudanças na indústria musical em todo o mundo. O faturamento global do segmento deve ser de US$ 57,5 bilhões em 2020, segundo relatório do banco Goldman Sachs, que antes da crise da covid-19 previa receita de US$ 77 bilhões. Artistas, empresários e executivos estão em busca de alternativas para o setor – e podem encontrar nos músicos independentes da Suécia caminhos para a indústria se reorganizar depois da pandemia.

O mercado sueco não está entre os dez maiores da indústria da música, mas algumas das mais importantes transformações do segmento começaram antes no país. Entre as revoluções lideradas pelos suecos, a mais notória é o Spotify, que oferece assinatura de música por streaming. Assim, observar o que ocorre na Suécia pode ser importante para tentar antever o que pode ocorrer na indústria musical do restante do mundo no futuro pós-coronavírus.

E o que o país tem registrado é uma forte ascensão de artistas independentes. Na pandemia, músicos ligados a grandes gravadoras tiveram que adiar ou cancelar turnês e lançamentos de novos discos. A agenda de shows dos independentes também foi comprometida, mas, por serem donos dos direitos sobre suas obras e usarem selos próprios para seus lançamentos, seu poder de decisão ficou muito mais evidente. Manter lançamentos no momento em que os artistas de grandes gravadoras adiam os seus tende a aumentar o peso relativo dos independentes no mercado.

Caminho aberto

Isso pode abrir caminho para acelerar o crescimento da música independente em outras partes do mundo, registra a revista Rolling Stone. “Nós acreditamos que [a covid-19] pode antecipar uma transição que já estava ocorrendo”, disse à publicação Diego Farias, CEO da gravadora independente sueca Amuse. “Ela permitirá que os artistas independentes ganhem espaço com mais rapidez em um mercado como o dos Estados Unidos – que era, vamos lembrar, muito resistente a novidades como o streaming.”

Em 2019, sete das 15 músicas de artistas locais mais tocadas na Suécia eram de artistas independentes. Além disso, em janeiro de 2020, das 50 músicas mais executadas no Spotify na Suécia, 29,4% eram de independentes. Segundo a média compilada pela Amuse e citada pela Rolling Stone, um ano antes, a fatia era de 9,9%; em janeiro de 2018, de apenas 0,8%.

A música por streaming não foi uma criação sueca, mas foi o Spotify que, a partir da Suécia, ajudou a popularizar de vez o formato. A empresa nasceu em 2006. Pouco mais de uma década mais tarde, em 2017, o streaming já representava um terço da receita global da indústria com gravações. Em 2019, as vendas de músicas gravadas somaram US$ 20,2 bilhões no mundo, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês). Desse montante, o streaming respondeu, sozinho, por US$ 11,4 bilhões, ou 56% do total. Foi a primeira vez na história que esse formato representou mais da metade das vendas da indústria.

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