Para salvar navio viking, Noruega retoma escavações após 115 anos

Cientistas e autoridades decidiram trazer o Gjellestad de volta à superfície ao descobrirem que o barco está sendo atacado por fungos

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O navio viking Gjellestad foi descoberto em 2018 no sul da Noruega
Patrimônio milenar: concepção artística do navio Gjellestad, descoberto em 2018 (Foto: reprodução)

Depois de mais de 115 anos, a Noruega fará escavações para restaurar um dos raros  barcos usados pelos vikings ainda existentes. O navio Gjellestad foi construído há 1,2 mil anos, mas trazê-lo da volta à superfície tornou-se uma repentina corrida contra o relógio porque os cientistas descobriram que a embarcação está sendo consumida por fungos.

Feito de carvalho e com quase 20 metros de comprimento, o navio foi encontrado no sul da Noruega em 2018. A descoberta, casual, ocorreu quando um agricultor estava drenando a terra para prepará-la para o plantio. As partes mais próximas da superfície estavam a cerca de meio metro de profundidade.

Inicialmente, os cientistas pretendiam mantê-lo debaixo do solo, já que sua exposição à umidade da atmosfera poderia destruí-lo de vez. No entanto, depois de retirarem uma amostra da embarcação – a coleta ocorreu em 2019 -, os pesquisadores descobriram em janeiro deste ano o ataque de fungos na madeira. Assim, os planos precisaram ser revistos – e acelerados.

Os pesquisadores acreditam que o Gjellestad foi usado para longas viagens marítimas antes de ser enterrado em uma cerimônia funerária. Na era viking, era comum que, ao morrerem, figuras da elite da sociedade fossem sepultadas dentro de barcos. Com o uso de georradar, tecnologia que capta imagens subterrâneas a partir da superfície, os pesquisadores descobriram não apenas a embarcação, mas também o cemitério milenar onde o ritual havia sido feito.

Cronograma de escavações

O governo da Noruega já anunciou um investimento de 15,6 milhões de coroas (R$ 8,7 milhões) para o trabalho de escavação. “Precisamos tirar o navio do subsolo com urgência”, disse à emissora pública NRK o ministro do Clima e Meio Ambiente do país, Sveinung Rotevatn. De acordo com o cronograma atual, os trabalhos devem começar em junho e terminar em cinco meses.

Dos navios da era viking que resistiram ao tempo, três dos mais bem-preservados são Tune, Gokstad e Oseberg, que foram escavados na Noruega em 1868, 1880 e 1904, respectivamente. Eles estão em exposição permanente no Museu do Barco Viking, que integra ao Museu de História e Cultura da Universidade de Oslo.

Com o projeto de recuperação do Gjellestad, os cientistas poderão finalmente aplicar técnicas de escavação e preservação mais modernas, desenvolvidas no intervalo de mais de um século que se passou desde que o Oseberg foi trazido de volta à superfície. Em todo o mundo, existem hoje apenas 15 barcos vikings originais, mas, só na Noruega, estima-se que haja 350 enterrados.

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