Quer sugerir algo ao maior banco da Dinamarca? Mande um e-mail para o CEO

0
87

O novo presidente do Danske Bank quer que qualquer pessoa com boas ideias sobre como administrar a instituição entre em contato com ele diretamente. Chris Vogelzang, um ex-banqueiro do holandês ABN Amro que assumiu no mês passado o posto de CEO do maior banco dinamarquês, diz que gostaria de receber pessoalmente as sugestões de investidores e funcionários.

A novidade surge um ano e meio depois de o Danske ser punido pelo regulador financeiro dinamarquês por causa de uma cultura que desestimulava os funcionários a expressarem suas opiniões. Com isso, o banco decidiu adotar uma outra postura.

LEIA TAMBÉM:
– Em "cultura de negócios", Dinamarca, Noruega e Finlândia são os países menos complexos do mundo
– Escandinavos brilham em ranking global de percepção da corrupção
– Para evitar ciberataques, bancos dinamarqueses contratam "hackers do bem"

"Estamos tentando ser o mais transparentes possível", disse Vogelzang, segundo registro da agência Bloomberg. "Quero que todos no banco possam falar caso acreditem que as coisas podem melhorar." O executivo diz que forneceu seus dados de contato à equipe e a outras pessoas em toda a Escandinávia "para que elas possam me enviar e-mails sobre o que acham que deveria ser feito".

Com a experiência de quem, atuando na área de varejo, ajudou a recuperar o ABN Amro depois de o banco ter sido resgatado pelo Estado holandês, Vogelzang foi contratado para ajudar o Danske a lidar com as consequências de um esquema de lavagem de dinheiro de US$ 230 bilhões que eclodiu no ano passado. O caso acabou com a carreira do então CEO do Danske, Thomas Borgen, que agora enfrenta, com outros vários ex-executivos, acusações criminais preliminares.

A Autoridade de Supervisão Financeira da Dinamarca disse no ano passado que a cultura "ágil e eficiente" do Danske provavelmente contribuiu para um escândalo tão devastador. Mas a agilidade e a eficiência, aqui, não têm conotação positiva: segundo o diretor-geral da agência, Jesper Berg, sob o antigo alto comando do banco, a ideia era "resolver problemas em um nível mais baixo em vez de chamar a atenção das pessoas em níveis superiores", afirmou ele em maio de 2018. "Obviamente, isso revela um problema de cultura interna."

O escândalo de lavagem de dinheiro, que se concentrou nas operações do Danske na Estônia entre 2007 e 2015, surpreendeu os investidores, o público em geral e o mundo político da Dinamarca. As ações do banco caíram cerca de 60% – uma perda de US$ 20 bilhões em valor de mercado – desde o início do ano passado. Os acionistas se preparam agora para multas que podem ficar na casa dos bilhões de dólares.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui