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Quem é o sueco que ajudou a CIA a espionar 120 países por décadas

Boris Hagelin criou a Crypto, que vendia aparelhos de criptografia; americanos e alemães foram donos secretos da empresa na Guerra Fria, diz reportagem

“Eu lamento por não poder contar o que fiz durante a minha vida. Se eu pudesse, você acharia que eu fui o maior espião do mundo.” O ex-jornalista Sixten Svensson diz ter ouvido muitas vezes essa frase de seu cunhado, Boris Hagelin, um engenheiro e empresário sueco que fez fortuna desenvolvendo equipamentos de criptografia. Nos últimos dias, com a descoberta de um dos segredos mais bem-guardados da espionagem internacional, Svensson concluiu: seu cunhado tinha razão.

Na última terça-feira (11/2), em uma investigação conjunta, o jornal americano The Washington Post e a emissora pública alemã ZDF revelaram que a CIA e a BND, as agências de inteligência dos Estados Unidos e da Alemanha Ocidental, respectivamente, foram as verdadeiras controladoras da Crypto, empresa que criou aparelhos de criptografia usados para armazenar arquivos secretos. O controle invisível da Crypto deu à CIA e à BND acesso a informações ultrassecretas de 120 governos de todo o mundo – Brasil entre eles – ao longo da Guerra Fria. Tudo isso foi feito com a anuência de Hagelin, criador da Crypto.

Boris Caesar Wilhelm Hagelin nasceu no Azerbaijão, mas era cidadão sueco e filho de pais suecos. Ele começou a desenvolver aparelhos de criptografia nos anos 30, em projetos que foram sendo aperfeiçoados nas duas décadas seguintes. Com um desses aparelhos na bagagem, o engenheiro deixou a Suécia e fugiu para os EUA em 1940, quando os nazistas invadiram a Noruega.

Fortuna na guerra

Hagelin fechou um acordo com as forças americanas para fabricar sua invenção, já batizada de M-209. No fim da guerra, cerca de 140 mil unidades do aparelho haviam sido produzidos, o que transformou o sueco em um milionário, relata o Crypto Museum – possivelmente a única pessoa a ter feito fortuna com a criptografia, de acordo com o historiador americano David Kahn, referência em pesquisas sobre inteligência militar.

Nos EUA, Hagelin tornou-se amigo de William Friedman, considerado o pai da criptografia americana. Eles permaneceram próximos mesmo depois que Hagelin decidiu transferir a sede de sua empresa para a Suíça. Os dois fizeram um acordo secreto em 1951, no Cosmos Club, em Washington, para restringir as vendas de seus sofisticados produtos de criptografia a países aprovados pelos Estados Unidos.

Venda da Crypto

Segundo a reportagem, Hagelin vendeu o controle da Crypto à CIA e à BND em 1970. Os alemães deixaram a sociedade em 1994, quando a Guerra Fria já havia terminado – e a Alemanha já era novamente um só país. A CIA passou a ser a única dona da operação e ficou nela até 2018. Suas operações foram divididas em duas naquele ano e assumidas por empreendedores privados.

Boris Hagelin morreu em 1983, aos 91 anos, sem jamais ter revelado o segredo, já apelidado de “o maior golpe de espionagem do século XX”. Sixten Svensson nunca suspeitou de seu cunhado enquanto ele estava vivo, relata a Sverige Radio, e tudo o que sabia era que Hagelin era um homem muito rico. No início de 2010, no entanto, Svensson foi convidado a escrever um artigo sobre Hagelin. Esse foi o ponto em que ele começou a descobrir alguns dos segredos do homem que foi casado com sua irmã.

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