Pesquisa indica que finlandeses ficaram menos preocupados durante pandemia

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Pesquisa mostra que finlandeses mudaram pouco seus hábitos na pandemia (Foto:Tiina jutila / Yle)

Ainda há muitas dúvidas sobre quais transformações a pandemia gerará nas pessoas: há quem diga que o egoísmo pode avançar, na luta pela sobrevivência, enquanto outros estimam que as pessoas serão mais solidárias com o sofrimento causado com esta emergência sanitária. Ao menos na Finlândia, a segunda opção parece se mostrar a aposta mais acertada, com uma maior consciência sobre necessidades reais das pessoas.

Os resultados da mais nova pesquisa da Yle Economic Research, rede pública de TV finlandesa, aponta que 8% dos finlandeses se disseram preocupado com sua saúde em 2020, contra 21% em 2019 e 20% no ano de 2018. Da mesma forma, apenas 9% se declararam preocupados com “coisas que afetam sua família e entes queridos”, contra 20% no ano passado e 21% em 2018.

A preocupação com o próprio sustento caiu de 19% para 9% entre 2019 e 2020 e a preocupação com “meu próprio enfrentamento na vida profissional” foi de 15% em 2019 para 12% neste ano. Um total de 2.237 pessoas responderam à pesquisa em 2018, 3.000 em 2019 e 1.149 em 2020. A última pesquisa foi realizada de 27 a 30 de novembro. 2020.

Para especialistas, estas mudanças nos percentuais de preocupações dos entrevistados estão diretamente ligada à pandemia. Com a crise e o enfrentamento do país, considerado bem sucedido – até o momento foram registrados apenas 27.881 casos e 445 mortes no país de 5,5 milhões de habitantes – deu um novo dimensionamento aos anseios das pessoas.

“Normalmente não há grandes mudanças na pesquisa de opinião, então o resultado é especial. A metodologia é a mesma, comparável e raramente um pesquisador de opinião se depara com uma situação em que as opiniões tenham mudado tanto, mas, por outro lado, a situação no mundo inteiro mudou completamente durante o ano”, disse o diretor de pesquisa Juho Rahkonen de Taloustutkimus à agência de notícias estatal da Finlândia.

A antropóloga Miia Halme-Tuomisaari aponta que o coronavírus nos colocou cara a cara com incertezas e nos forçou a aceitar que não podemos controlar tudo. “Coisas pequenas que podem ter parecido muito pesadas um ano atrás podem parecer uma tristeza um pouco menor agora”, disse ela.

A psicóloga social Jenni Savonen, da Universidade de Helsinque, está começando a avaliar se a mudança poderia ser baseada em como seus próprios problemas e preocupações se comparam aos de outros. O fato da pandemia no país ter sido menos devastadora que me nações vizinhas pode ter ajudado nessa nova percepção.

“Não nos permitimos ficar tão preocupado com nossas coisas, porque em outro lugar as coisas são piores”. Ela afirma também que as pessoas passaram por um grande teste e sobreviveram, indicando que elas “tem tudo o que precisam” e com isso “há uma sensação que estão preparadas e podem se preocupar menos com coisas pessoais”.

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