O combate à corrupção na visão dos embaixadores escandinavos

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Por Dalila Goes, de Brasília

Os escandinavos são, em conjunto, os países de maior destaque nos comparativos internacionais sobre combate à corrupção. Na última edição do Índice de Percepção da Corrupção, produzido pela organização Transparência Internacional, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega ocuparam quatro dos sete primeiros lugares. Será que há um "segredo escandinavo" por trás desse quadro?

Nesta segunda-feira, os embaixadores dos quatro países no Brasil reuniram-se para falar em conjunto sobre o tema. A data é emblemática: em 2003, a Organização das Nações Unidas instituiu 9 de dezembro como o Dia Internacional de Combate à Corrupção. O encontro ocorreu na Embaixada da Dinamarca – país que lidera o ranking da Transparência Internacional -, em Brasília. Ele foi organizado pelo Diálogos Nórdicos, projeto conjunto das quatro embaixadas que propõe debates sobre desafios brasileiros em áreas como igualdade de gênero, transparência e sustentabilidade e apresenta a visão dos escandinavos sobre esses temas.

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Confiança e transparência são os elementos-chave para reduzir o mal da corrupção, segundo a mensagem geral dos embaixadores. Em um exemplo prático dessa abordagem, os sites dos governos dinamarqueses, de todas as instâncias, são bem abastecidos com dados sobre gastos de políticos, salários e investimentos por áreas. Outro ponto: qualquer cidadão pode requerer informações que não estejam cadastradas.

São iniciativas que asseguram a saúde da administração pública e fortalecem a democracia nesse processo, argumenta o embaixador dinamarquês Nicolai Prytz. “Não estamos dizendo que não há corrupção em nosso país, mas que a prática é combatida de forma rápida, eficaz e transparente por meio de sistemas fortes”, disse.

O embaixador da Finlândia no Brasil, Jouko Leinonen, reiterou a mensagem de que o combate à corrupção exige acompanhamento ininterrupto, já que nenhum país está imune a ela. Leinonen, que no mês passado fez a abertura do Scandinavian Day, em São Paulo, lembrou do Acordo de Parceria Estratégica, firmado em abril entre o governo brasileiro e as representações diplomáticas dos países escandinavos para promover ações de integridade, transparência e prestação de contas no Brasil.

A luta contra a corrupção passa também por uma mudança cultural – e isso significa necessariamente investir em educação, destacou a embaixadora da Suécia, Johanna Brismar Skoog. Ela reforçou que as companhias suecas reconhecem os riscos negativos que enfrentarão ao se envolver em casos de corrupção. A má reputação, os problemas com o judiciário e a certeza de que não são inimputáveis afasta, segundo a embaixadora, muitas empresas de seguir um mau caminho. 

Nils Martin Gunneng, embaixador da Noruega, ressaltou o papel de um outro elemento nesses esforços: a imprensa profissional. Para ele, o trabalho de veículos e jornalistas ajuda a enfraquecer esquemas que envolvem governos e empresas em fraudes. A confiança na mídia, na polícia e na Justiça é fundamental, segundo o embaixador, no combate às más práticas.

Também presente no encontro, o diretor executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, acredita que a polarização política tem atrapalhado investigações e a imagem internacional do país. A coordenadora da Unidade de Paz e Governança do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Brasil (Pnud), Moema Freire, por sua vez, salientou que a colaboração de entidades internacionais na elaboração de políticas e práticas que mitiguem as fraudes são importantes.

Legenda: da esquerda para a direita, os embaixadores Nills Gunneng (Noruega), Nicolai Prytz (Dinamarca), Johanna Skoog (Suécia) e Jouko Leinonen (Finlândia)

Foto: Yuri Alvetti

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