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Sociedade

A saga da cidade sueca que vai mudar de lugar para não ser engolida pela terra

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
A saga da cidade sueca que vai mudar de lugar para não ser engolida pela terra

Viver em Kiruna, no norte da Suécia, é para os fortes. Seus 18 mil habitantes não só enfrentam baixíssimas temperaturas (ela fica no Círculo Polar Ártico) como têm que encarar um destino ainda mais assustador: a cidade está afundando. 

Localizada a 1200 quilômetros de Estocolmo, a capital do país, Kiruna abriga a maior mina de ferro subterrânea do mundo, o que significa um longo histórico de escavações. Com o passar do tempo, a atividade causou o desassoreamento do solo, o que comprometeu a segurança de residências, empresas e prédios históricos. 

Em 2004, o município criou um plano orçado em US$ 1 bilhão para simplesmente se deslocar, por completo, alguns quilômetros para leste, para uma área com solo mais estável. Agora, relata o site Business Insider, quase uma década e meia depois, a cidade finalmente inaugurou o primeiro de seus novos prédios: com detalhes dourados, o local, sede da prefeitura e de um centro comunitário, ficou conhecido como "O Cristal". 

A estrutura foi projetada pelo escritório de arquitetura dinamarquês Henning Larsen, que se inspirou na antiga prefeitura - a torre do sino, por exemplo, foi preservada. Como Kiruna recebe muito pouca luz do sol no inverno - nos meses de dezembro, os moradores convivem com escuridão quase total -, amplas janelas foram projetadas para aproveitar ao máximo a luz do dia.

As antigas estruturas da cidade serão totalmente demolidas ou transportadas para um novo território. A igreja central, por exemplo, será içada por caminhões e guindastes e transportada por pouco mais de 3 quilômetros até chegar a seu novo endereço.

O plano do município é construir mais de 3 mil edifícios residenciais; o processo de mudança deve se estender até 2040, e muitos comerciantes esperam já estar de casa nova nos próximos anos. Antes disso, porém, as próximas estruturas a sair do papel serão uma biblioteca e uma piscina pública. Afinal, é preciso saber priorizar as coisas.

(Foto: Peter Rosén/LapplandMedia/Henning Larsen)