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Escandinávia e Brasil

São Paulo recebeu a primeira edição do evento Scandinavian Day

São Paulo recebeu a primeira edição do evento Scandinavian Day

O evento reuniu representantes da Noruega, Finlândia, Dinamarca e Suécia, para discutir ações em mobilidade, sustentabilidade, educação, tecnologia e gestão pública

Sinergia e transparência entre governo e sociedade como fórmula para políticas públicas bem sucedidas; compromisso com práticas sustentáveis no dia a dia; negócios cada vez mais conectados em busca de segurança e a necessidade de investir em pesquisa e formação de professores.

Essas foram algumas das principais mensagens deixadas pelo Scandinavian Day, evento organizado pela consultoria Imagem Corporativa que reuniu em São Paulo no dia 7 de novembro representantes da Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega. O propósito foi compartilhar exemplos postos em prática pelos países que podem inspirar iniciativas locais similares e abrir espaço para novas parcerias e negócios com o Brasil.

“Esta é a primeira vez que organizamos esse evento e vamos realizá-lo anualmente para incentivar a multiplicação de pontes Brasil e os países escandinavos. Acreditamos que as duas regiões são altamente complementares em diferentes dimensões e por isso existe um grande potencial para fortalecer relações bilaterais” comentou Ciro Dias Reis, CEO da Imagem Corporativa ao realizar a abertura do evento.

Energias alternativas

No painel dedicado ao tema energias renováveis, Rafael Paniagua, presidente da ABB Brasil, tratou sobre a atuação da empresa no país (onde chegou há 105 anos), e que colocou a ABB como pioneira em soluções para a indústria 4.0. Paniagua falou sobre a matriz energética do Brasil e de outras regiões, e sobre o potencial de crescimento das chamadas fontes de energia renováveis, como a hidrelétrica (que o Brasil já utiliza em larga escala), eólica, solar e biomassa. Como conceito principal, o executivo citou a questão da eficiência energética – não apenas produzir, mas utilizar energia de forma sustentável.

Entre os avanços, Rafael citou as inovações trazidas pelas montadoras de automóveis, que estão introduzindo modelos de veículos híbridos e totalmente elétricos, aos quais estarão disponíveis no mercado em larga escala já a partir da próxima década. “O país tem condições privilegiadas para criar sistemas de produção, armazenamento e consumo desse tipo de energia. As fontes de energia eólica e solar vão crescer exponencialmente, mas as usinas hidrelétricas que já existem precisam se modernizar, além de existir a necessidade de outras serem criadas” finalizou.

Sustentabilidade

No painel de Soluções em mobilidade e sustentabilidade, Vinicius Gaensly, gerente global de serviços conectados da Volvo, trouxe conceitos da atual transformação digital que perpassa todas as indústrias. Sem deixar de lado os valores já estabelecidos, o executivo citou que a Volvo vem fazendo a migração completa para continuar entregando produtos e serviços de qualidade que garantam a segurança e respeitem o meio ambiente – tudo dentro do cenário de automação (veículos elétricos, autônomos e 100% conectados). “A conectividade está criando novas possibilidades. Até 2020, serão mais de 100 bilhões de aparelhos conectados, muitos entre si”, ressalta Vinicius.

Um dos cases que destacou foi o do serviço “Regiões de Segurança”. Esse serviço utiliza tecnologia por sensores que conecta veículos de transporte urbano a um sistema capaz de controlar sua velocidade em determinadas regiões da cidade de Curitiba, com o objetivo de garantir adequado nível de segurança em vias específicas e evitar acidentes.

“O sistema é capaz de reconhecer qual a velocidade máxima permitida em determinada rua ou avenida, e impede que o motorista ultrapasse esse limite, mesmo que queira”, disse ele.

Ainda no mesmo painel Pernille Mouritsen, especialista da Nordic Sustainability que veio da Dinamarca especialmente para o Scandinavian Day, tratou em detalhes sobre como Copenhague pretende cumprir a meta climática de ser livre de emissões de carbono até 2025. O desafio é grande, explicou ela, em função da população ter crescido 18% nos últimos anos.

Copenhague criou políticas para motivar a população a usar bicicletas no trajeto ao trabalho. Também há incentivo do governo para aumentar o tráfego desse meio de transporte, além de investimento em infraestruturas que possibilitem esse suporte. Ações planejadas dessa natureza contribuem para diminuir congestionamentos e a poluição do ar.

Entre as ações de infraestrutura, a cidade criou 17 pontes para bicicletas, ajudando a diminuir os trajetos para os ciclistas. Isso também incentivou novos estabelecimentos no percurso, trazendo crescimento econômico para a cidade. A experiência de Copenhague mostra que é possível mobilizar a população pela sustentabilidade por meio de um plano de ação bem definido e parcerias públicas e privadas.

Educação e inovação

O painel sobre as iniciativas educacionais na Finlândia mostrou como o país se tornou um exemplo globalmente reconhecido nesse campo. Segundo Jarkko Wickstrom, Diretor de Operações Brasil e América Latina Finland University, a educação foi um dos pilares que trouxeram a Finlândia para o patamar de desenvolvimento e modernidade em que hoje se encontra. “Esse movimento começou a partir de uma visão compartilhada e aberta em busca de referências que deram certo”.

Hoje a Finlândia tem uma rede educacional pública e gratuita que, entre outros atributos, instalou uma escola básica a cada 15 km por todo o país. Além disso, os investimentos em pesquisa e formação de professores estão entre os mais importantes fatores para que esse modelo siga funcionando, bem como a forte atuação conjunta entre academia, indústria e comércio. O objetivo é oferecer a todos oportunidades iguais para uma educação básica de alta qualidade, com possibilidade aberta para o ensino superior e a formação profissional.

Com a temática inovação, Anders Norinder, vice-presidente Swedish-Brazilian Chamber of Commerce, apresentou o tema “o sucesso dos unicórnios suecos”. Segundo ele, a Suécia tem cerca de 10 milhões de habitantes, com grandes empresas reconhecidas mundialmente. Recentemente, uma nova onda com as digi-techs (Skype, Spotify, iZettle) ampliou essa percepção de avanços do país no ambiente corporativo e de serviços inovadores. Foi com base nesse novo momento que Anders baseou seu painel.

A Suécia é o 5º melhor país para abrir uma empresa e o 3º no ranking de inovação. A exemplo de outros países escandinavos, tem forte tradição educacional e boa infraestrutura (3ª internet mais rápida do mundo; 60% da população tem acesso a essa internet ultra rápida).

Por ser um país pequeno, as novas empresas usam o mercado nacional como teste, já projetando um crescimento em larga escala global. A capital Estocolmo é considerada a região com o segundo maior número de unicórnios (startups com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão) per capita, atrás apenas do Vale do Silício. O acesso ao capital também é facilitado, pois existe muita confiança e estabilidade no mercado. Com apoio combinado e cooperativo entre indústria, comércio e academia, o país vem ganhando cada vez mais projeção.

Gestão pública

No quarto e último painel, sobre gestão pública, o embaixador da Noruega no Brasil, Nils Martin Gunneng, dedicou sua apresentação ao funcionamento e os objetivos do fundo soberano norueguês, majoritariamente formado pelos recursos obtidos com o petróleo. Nils traçou uma linha do tempo desde a descoberta das reservas de petróleo no Mar do Norte no fim dos anos 1960 até a decisão de transformar as receitas petrolíferas em um fundo com o objetivo de financiar os projetos e serviços de interesse social quando as reservas do país acabarem.

O fundo, que começou com um investimento inicial de US$ 300 milhões, tem hoje valor em torno de US$ 1 trilhão, participações em mais de 9 mil empresas mundo afora e controla 1,3% da capitalização mundial total. Uma lei, aprovada nos anos 2000, definiu que o governo só está autorizado a utilizar 3% dos resultados gerados anualmente pelo fundo soberano.

Segundo o embaixador, as premissas de investimento do fundo observam os direitos das crianças (contra o trabalho infantil), mudanças climáticas e gerenciamento da água. Sobre investimentos no Brasil, o fundo já aplicou cerca de US$ 9.25 bilhões no país nos últimos anos, objetivando retorno em longo prazo - um processo transparente e que pode ser consultado no site oficial.

Finalizando o painel, Juhani Pajunen, diretor da Source Creative de Helsinque e que veio ao Brasil para o Scandinavian Day, falou sobre a importância da transparência nas relações cidadão-governo na Finlândia exaltando alguns dos valores escandinavos como igualdade, simplicidade, honestidade, modéstia, contato com a natureza e respeito às outras pessoas. Um dado curioso: na Finlândia, 95% da população tem confiança da polícia, mas apenas 10% tem confiança nos políticos, segundo Juhani.

Para que exista essa relação de transparência e boas relações entre cidadãos e governantes, ele ressaltou que é importante incentivar a participação de todos e que todas as ações sejam

justificadas. Por exemplo: nos países escandinavos, os impostos são altos, mas a maioria da população tem a sensação de que o retorno acontece de forma efetiva e justa.

Para estabelecer uma relação de confiança mútua, foi preciso investir em dois conceitos: governo aberto e dados abertos, que aumentam a confiança que a população tem no poder público.

No site Suomi.fi do governo finalndês (gerenciado pela Source Creative) por exemplo, é possível fazer operações online como venda de bens, emissão de passaporte, pagamento de impostos etc.

Ambiente de negócios na Escandinávia

Encerrando a programação do Scandinavian Day, representantes das Câmaras de Comércio da Finlândia, Noruega e Suécia, e do Consulado da Dinamarca para apresentaram o cenário de negócios em seus países e o potencial de parcerias que podem proporcionar.

Jan Jarne, Presidente do Conselho FinnCham, afirmou que a Finlândia era um dos países mais pobres da Europa mas construiu uma economia bem estruturada. Hoje é uma nação com o melhor ambiente de negócios do mundo e também referência em inovação e qualidade de vida.

Segundo Jonas Lindstrom, Diretor Executivo Swedish-Brazilian Chamber of Commerce, a área de mineração e o setor automotivo são algumas das principais parcerias entre Brasil e Suécia no momento. Para ele, há espaço para o setor público dar mais apoio para que se multipliquem ideias e soluções sustentáveis que têm surgido no Brasil.

O volume de negócios noruegueses no Brasil é muito maior do que o volume de negócios brasileiros na Noruega, de acordo com Rachid Felix, Presidente da Norwegian Brazilian Chamber of Commerce. O Brasil é um foco de investimento muito forte, já que o país tem recursos imbatíveis em volumes de água profunda. A Noruega tem um forte histórico em navegação e indústria do petróleo, e o desenvolvimento sustentável dos oceanos é um dos assuntos que o país têm trazido para debate no Brasil.

No encerramento do painel sobre ambiente de negócios e parcerias na Escandinávia, Salim Malik, Representante do Consulado da Dinamarca em São Paulo, afirmou que, em muitos sentidos, a Dinamarca é a porta de entrada para quem quer atuar na Europa. O país, um dos mais fáceis de se estabelecer relações comerciais, conta com uma mão de obra flexível e motivada, e, para facilitar, todos os habitantes da Dinamarca tem o inglês como segunda língua. Além disso, há um grande investimento do país na estrutura das universidades. Salim finalizou dizendo que uma boa dica é buscar a criação de relacionamento com o apoio da embaixada, ou mesmo pelo site oficial investindk.com, focado em negócios.