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Meio Ambiente e Sustentabilidade

Na Islândia, navio britânico da Segunda Guerra vaza óleo há 75 anos

segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Na Islândia, navio britânico da Segunda Guerra vaza óleo há 75 anos

Setenta e cinco anos depois de ser afundado pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, o petroleiro britânico El Grillo segue despejando óleo no mar da Islândia. A embarcação está no fundo do fiorde Seyðisfjörður desde 10 de fevereiro de 1944, quando foi atingida por um ataque aéreo alemão. Ninguém morreu na ação, um dos raros episódios de ataques ocorridos no país durante o conflito, mas seus efeitos ainda são percebidos na região.

Os destroços de El Grillo estão a uma profundidade entre 22 e 45 metros, quase em posição vertical. Entre 2001 e 2002, depois de inúmeras tentativas de contenção do vazamento, uma ação na área teria acabado com o problema, mas relatos recentes informam que a liberação de petróleo no fiorde persiste. Neste mês de agosto, a emissora pública islandesa RÚV registrou a morte de pássaros cobertos de óleo.

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Segundo a revista Iceland Review, além dos pássaros mortos, a presença de óleo nas praias da área e o cheiro característico do óleo são também evidências de que o vazamento persiste. As autoridades municipais pretendem solicitar assistência ao Reino Unido na limpeza do navio e na prevenção contra mais vazamentos. Os destroços submarinos e a beleza do fiorde fazem desse ponto um dos mais populares locais de mergulho do país.

A limpeza feita na década passada ficou a cargo de uma empreiteira norueguesa, que levou suas equipes ao fundo do fiorde com a informação de que El Grillo ainda conteria 2 mil toneladas de petróleo. No trabalho, a empresa acabou encontrando apenas 90 toneladas do material.

Rúnar Gunnarsson, chefe de segurança portuária e presidente do conselho de segurança, diz que as condições foram especialmente ruins neste verão. “À medida que o mar esquenta, mais óleo surge, já que ele precisa apenas de uma pequena mudança de temperatura para começar a se mover", disse ele à RÚV. "A corrente traz o óleo para o fiorde, que entra nas praias e afeta as aves. Isso é muito sério. Por algum motivo, os pássaros adultos parecem lidar melhor com o óleo, mas os mais jovens sofrem mais."

Ninguém sabe ao certo quanto óleo ainda há nos destroços. "Eu ouvi algumas pessoas falando em 14 toneladas, o que é bastante.  Vamos entrar em contato com a embaixada britânica e ver se os britânicos querem participar da limpeza. Afinal, o navio era deles. Eles eram donos do navio e do petróleo que afundou com ele."

Embora a Islândia tenha permanecido neutra na Segunda Guerra Mundial, os britânicos invadiram a Islândia em 10 de maio de 1940. O país foi considerado de importância estratégica em virtude de sua localização no Atlântico Norte. O território islandês foi usado principalmente como base para comboios de transporte aliados, com suprimentos para Murmansk, no norte da Rússia. Em 7 de julho de 1941, os Estados Unidos assumiram o controle da defesa da Islândia. Acredita-se que cerca de 230 islandeses perderam a vida na guerra, a maioria em navios de pesca e carga afundados por aeronaves, submarinos ou minas alemãs.

Em Seyðisfjörður, que é também o nome da cidade onde está o fiorde, ficava uma das bases aliadas no país - navios de guerra e mercantes atracavam na baía antes de seguir para a Rússia. Antes do ataque que levou ao naufrágio de El Grillo, Seyðisfjörður havia sido atingida pela Alemanha nazista em 5 de setembro de 1942, quando dois aviões alemães lançaram duas bombas no fiorde.