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Escandinávia e Brasil

Statkraft: "Queremos triplicar nossa capacidade de geração de energia no Brasil"

terça-feira, 7 de maio de 2019
Statkraft: "Queremos triplicar nossa capacidade de geração de energia no Brasil"

Diante de seus mais de 120 anos de existência, pode-se dizer que, no Brasil, a norueguesa Statkraft ainda está em sua primeira infância. A empresa, a maior do segmento de energia renovável na Europa, iniciou suas operações no mercado brasileiro em 2008 por meio da subsidiária SN Power e ampliou a presença no país em 2012, quando comprou uma fatia na então Desenvix. Como Statkraft, a companhia atua por aqui desde 2014. Seu parque inclui hidrelétricas, complexos de geração eólica e um projeto de energia solar, na Bahia.

Ao reafirmar a visão de longo prazo do grupo, Fernando de Lapuerta, CEO da Statkraft no Brasil, reitera a ideia de que, de fato, a Statkraft ainda está apenas em seus primeiros passos por aqui. "Nós somos um investidor de longo prazo. Nossos ativos têm um prazo para dar retorno de 30, 40, 50 anos", afirma o executivo. Em outubro de 2018, mais um passo adiante foi dado com a compra de oito pequenas centrais hidrelétricas da EDP Energias do Brasil no Espírito Santo, em um negócio de R$ 704 milhões.

A companhia tem hoje capacidade instalada de 450 megawatts, e sua meta é triplicar esse número até 2024 - "ou antes disso", diz Lapuerta. A seguir, trechos da entrevista exclusiva do CEO da Statkraft ao Scandinavian Way.

SCANDINAVIAN WAY: A Statkraft anunciou no fim do ano passado uma operação importante, de compra de oito pequenas centrais hidrelétricas no Espírito Santo. Como está a operação da empresa hoje no Brasil?
Fernando de Lapuerta: Estamos no Brasil desde 2008, e de lá para cá compramos vários ativos na área de geração de energia, além de termos criado uma linha de comercialização. Nosso foco é continuar crescendo. O Brasil representa um dos pilares da empresa no mundo, com muito potencial de geração de energia limpa. Queremos comprar ativos nas áreas de energia eólica, solar e hidrelétrica, e estamos desenvolvendo nossos ativos também internamente, em eólica e solar.

SW: Em 2018, a empresa revelou um plano de investir 10 bilhões de coroas [o equivalente a R$ 4,5 bilhões] no mundo até 2024. Já se sabe quanto disso virá para o Brasil?
Lapuerta: Não há definição de percentuais, mas Brasil e Índia são países prioritários hoje para a companhia. Temos uma potência instalada hoje no mercado brasileiro de 450 megawatts. Nossa vontade é de pelo menos triplicar esse tamanho nos próximos anos. Pode ser um pouco maior ou menor, depende das oportunidades e da rentabilidade dos ativos. Existem bons projetos no Brasil.

SW: Mas a meta é triplicar dentro desse prazo, até 2024?
Lapuerta: As metas são flexíveis, mas eu espero que alcancemos até antes disso.

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SW: Há aquisições programadas ainda para 2019?
Lapuerta: O Brasil é muito dinâmico, e estamos sempre de olho no que está ocorrendo no mercado. Seguimos com apetite para comprar ativos. Nosso objetivo para o curto e o médio prazos é aumentar de tamanho. Ainda somos relativamente pequenos no país.

SW: Hoje, a capacidade instalada da Statkraft no Brasil é maior em hidrelétricas, com eólica na sequência e apenas um pequeno projeto de energia solar. Essa proporção vai se manter na ampliação da empresa no mercado brasileiro?
Lapuerta: Somos uma empresa que se desenvolveu a partir da energia hidrelétrica. Temos 120 anos de história nesse segmento. Mais recentemente, passamos a trabalhar também com [geração] eólica e solar. O mundo inteiro está usando eólica e solar em uma escala que nunca existiu. Esse movimento vai continuar, inclusive aqui no Brasil. Assim, eólica e solar devem ganhar mais peso no futuro.

SW: A Statkraft começou a operar no Brasil em 2008, quando a economia do país estava com crescimento acelerado. Esse quadro mudou fortemente nos últimos anos, período em que tivemos severa recessão ou crescimento muito baixo. Isso alterou a visão da empresa sobre o país de alguma forma?
Lapuerta: Diferentemente de outras empresas que vêm para o Brasil, nós somos um investidor de longo prazo. Nossos ativos têm um prazo para dar retorno de 30, 40, 50 anos. Assim, olhamos o país para além do ciclo econômico pontual que está acontecendo neste momento. Nossa confiança no Brasil é muito grande. Nós já passamos por períodos de crescimento, de recessão, recentemente vivemos o movimento anticorrupção, que julgamos ser bem positivo no longo prazo. O Brasil é um país bom, de investimento seguro, um mercado grande. Movimentos pontuais não alteram nossa visão e nosso compromisso com o país.

SW: Mesmo com a duração da crise, a empresa vê o quadro como pontual?
Lapuerta: Também há coisas positivas acontecendo no Brasil, como os diferentes movimentos de liberalização da economia, a [Operação] Lava Jato e os esforços de combate à corrupção, que são muito positivos para o país no longo prazo. Tudo isso nos indica coisas positivas para o Brasil e reforça nossa vontade de continuar a investir aqui.

SW: A reforma da Previdência tem concentrado as atenções de economistas, empresas e de todos os agentes econômicos. Isso é um foco de preocupação da Statkraft?
Lapuerta: Pelos desdobramentos que ela pode ter, nós temos acompanhado a questão de perto, sim. Mas, independentemente do resultado, a companhia continuará a apostar no Brasil. Achamos que a reforma será boa para a economia brasileira, [mas o resultado da votação] não determinará o andamento da empresa aqui. O consumo de energia está atrelado ao desempenho do PIB, mas não a ponto de mudarmos nossa visão sobre o potencial do país.

SW: Que tipo de informação a matriz da Statkraft, uma empresa norueguesa, nascida em uma realidade bastante diferente da brasileira, demanda do Brasil?
Lapuerta: A ética dos negócios é muito importante para nós. Esse é um fator que está sempre presente na hora de procurarmos investimentos. Nos preocupa muito o impacto de nossos projetos sobre o meio ambiente e sobre as comunidades em que trabalhamos. Uma outra preocupação fundamental é a saúde dos funcionários. Nós operamos em mercados dinâmicos, que precisam de agilidade nas decisões, mas sem esquecer essas questões, que estão no DNA da empresa.