Na Noruega, cientistas fazem isolamento “mais seguro do mundo”

A pandemia adiou o retorno da norueguesa Hilde Strom e da canadense Sunniva Sorby, que estão no arquipélago de Svalbard desde agosto

0
91
A pandemia adiou o fim do isolamento da norueguesa Hilde Strom e da canadense Sunniva Sorby, que estão no arquipélago de Svalbard, na Noruega, desde agosto
A cabana da dupla: depois de cerca de 100 dias de escuridão no inverno, o sol começou a reaparecer em fevereiro (Foto: Hearts In The Ice)

Duas cientistas têm cumprido no extremo norte da Noruega aquele que concorre ao posto de isolamento mais seguro do mundo nesta pandemia. Seguro contra o novo coronavírus, mas perigoso em vários outros aspectos: a norueguesa Hilde Strøm, de 52 anos, e a canadense Sunniva Sorby, de 59, instalaram-se no arquipélago de Svalbard para estudar os impactos da crise climática sobre o Ártico. Elas estão no local desde agosto do ano passado, quando o novo coronavírus sequer existia.

A 140 km de qualquer sinal mais evidente de civilização, as pesquisadoras dividem uma cabana de 20 metros quadrados sem água corrente; a que consomem é obtida a partir do derretimento do gelo, uma tarefa que elas cumprem diariamente. A energia elétrica elas só conseguem com geração eólica ou solar, e a oferta é bastante limitada: no inverno, o sol não apareceu no horizonte por cerca de 100 dias. Os primeiros raios de sol surgiram em fevereiro (foto no alto).

O fim do trabalho em Svalbard estava previsto para maio, mas, com as restrições impostas pela pandemia, o barco que deveria buscá-las precisou adiar a missão. A nova data da viagem segue indefinida. Agora, as cientistas esperam deixar o arquipélago até setembro, quando acaba o verão no hemisfério norte.

Cientistas em isolamento no norte da Noruega
Hilde Strom (em primeiro plano) e Sunniva Sorby (Fotos: Hearts in the Ice)

As duas têm larga experiência em condições extremas como a que enfrentam em Svalbard. A norueguesa viveu 22 anos no Ártico; a canadense, por sua vez, trabalhou como guia na Antártida por 23 anos. Isso não significa que a missão tem sido fácil. “Nós sentimos medo até os ossos. O simples fato de termos ficado tão longe de qualquer pessoa por tantos dias de escuridão, literalmente sem termos para onde ir, traz à tona todos os nossos temores mais profundos e sombrios”, diz o texto mais recente (de 1° de junho) do blog que elas mantêm sobre o projeto.

Como precaução contra ataques de ursos polares, por exemplo, as pesquisadoras precisam sempre levar um rifle em suas saídas. Além disso, a cabana em que moram, construída na década de 1930 para ser usada por caçadores de baleias, é cravejada de pregos. Isso impede que os ursos tentem entrar ou subir no telhado.

Café quase no fim

Com o fim de seu isolamento no extremo norte da Noruega ainda indefinido, elas já começaram a racionar comida, embora isso não seja um grande problema, ao menos até o momento. “Já não temos mais frutas frescas, vegetais, leite e em breve ficaremos sem café (socorro!)”, relatam no blog, com bom humor, “mas temos o suficiente para nos mantermos.”

No arquipélago, as cientistas têm coletado informações para vários centros de pesquisa, em uma lista que tem, entre outros, a Nasa, a agência espacial americana, o Instituto Polar da Noruega, o Instituto de Oceanografia Scripps, de San Diego (EUA), e a Universidade Central de Svalbard.

Segundo contam, o envio de dados é, aliás, a maior despesa da expedição, batizada de “Hearts in the Ice” – ou “Corações no Gelo”. Para reforçar o orçamento, em janeiro as pesquisadoras lançaram uma campanha de financiamento coletivo. Os recursos servirão para o envio de informações que elas obtêm no arquipélago.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui