Início Meio Ambiente e Sustentabilidade Na pandemia, vulcões na Islândia têm atividade após 800 anos

Na pandemia, vulcões na Islândia têm atividade após 800 anos

Em meio à luta contra o coronavírus, os vulcões da península de Reykjanes, próxima da capital, Reykjavík, voltaram a registrar atividades

Em plena crise do coronavírus, uma região da Islândia precisou entrar em alerta também por causa de registros de atividades de seus vulcões. A península de Reykjanes sofreu mais de 8 mil terremotos e identificou cerca de 10cm de elevação de terra devido a invasões de magma no subsolo. Os episódios impressionam tanto pela frequência quanto pelo ineditismo: a área não registrava atividades vulcânicas há cerca de 800 anos.

A península está localizada a sudoeste da capital islandesa, Reykjavík, a apenas 15 km do aeroporto internacional. Ela fica próxima da cidade de Grindavík e da Lagoa Azul (em islandês, Bláa lónið), spa de águas termais que é uma das atrações turísticas mais populares do país.

Os cientistas que detectaram as atividades alertam que o fenômeno poderá causar perturbações nos próximos séculos. As evidências geológicas mostram que a área é alimentada por cinco sistemas vulcânicos, que parecem ganhar vida de maneira coordenada aproximadamente a cada mil anos. O último período de atividade vulcânica na península começou no século 10 e continuou até o século 13.

Ao contrário dos vulcões típicos da Islândia, que tendem a despertar por alguns anos e depois hibernam, quando essa região desperta, ela fica ativa por até 300 anos. Isso inclui episódios de erupção (conhecidos localmente como “incêndios”) que duram algumas décadas. Rachaduras longas e finas, conhecidas como fissuras, estendem-se por até 8 km. Elas se transformam em fonte de lava, mas geralmente o material surge sem muitas explosões e sem acumular muita cinza.

O que pode ocorrer

Mas isso não significa menos transtorno. Os “incêndios” mais recentes ocorreram entre 1210 e 1240 e cobriram com lava cerca de 50 km² de terra. Ocorreram pelo menos seis erupções separadas, cada uma com duração de semanas a meses, intercaladas com intervalos de até 12 anos sem atividade. Fragmentos e partículas de rochas vulcânicas foram carregados dezenas de quilômetros pelo vento. Registros escritos falam que a queda de rochas causou problemas para o gado na área.

Se uma série similar de erupções ocorresse hoje, o centro de pesquisas Iceland GeoSurvey calcula que as pistas do aeroporto de Keflavík poderiam ser cobertas por 2 cm de cinza. Isso interromperia temporariamente todos os voos da principal porta de entrada da Islândia para pessoas vindas do exterior.

Pior cenário

“O pior cenário é se a lava se deslocar para Grindavík”, disse ao jornal britânico The Guardian Kristín Jónsdóttir, do Serviço Meteorológico da Islândia. “Também há outras infraestruturas importantes na área, incluindo uma usina geotérmica. O fornecimento de água quente e fria ser ameaçado, assim como as rodovias, entre elas a que liga Reykjavík ao aeroporto de Keflavík.”

A Islândia raramente é perturbada pela atividade de seus vulcões, mas estará de olho na península de Reykjanes. Como é provável que as erupções sejam relativamente pequenas e ocasionais, será mais fácil lidar com o derramamento maciço e repentino de lava como a erupção de Laki em 1783-84. No entanto, se o padrão se repetir, os islandeses estarão diante de um novo desafio. “As pessoas na península de Reykjanes e seus descendentes por várias gerações podem ter que ficar alertas e prontos para evacuar a área de vez em quando”, diz Dave McGarvie, vulcanologista da Universidade de Lancaster, na Inglaterra.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia também

“Scandinavian Way” é finalista nos EUA do prêmio PR Daily Awards

0
O Scandinavian Way é um dos finalistas do prêmio internacional PR Daily Awards, criado para identificar os melhores projetos do mundo nas áreas de...