Na Islândia, coronavírus isola homem em hotel de 220 quartos

O hóspede solitário é ninguém menos que o chefe da Defesa Civil islandesa, uma das três autoridades que lideram o combate à pandemia no país

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Tempo pra mim: Vidir Reynisson diz, com bom humor, que ele mora hoje "na maior mansão da Islândia"

Vidir Reynisson (ou, no original, Víðir Reynisson) é, no momento, um dos rostos mais onipresentes na vida dos islandeses. Como superintendente da Defesa Civil, ele é uma das três autoridades encarregadas de liderar o combate ao coronavírus no país. E, para além desse trabalho de enorme responsabilidade, ele também ganhou projeção em virtude de uma situação insólita: a pandemia o deixou morando sozinho em um hotel de 220 quartos.

Na semana passada, o superintendente precisou se mudar para o Icelandair Hotel Reykjavík Natura depois que sua esposa e a filha do casal foram colocadas em quarentena por causa do vírus. A pandemia fez o hotel fechar suas portas nesta segunda-feira (23/3), mas a gerência disse que Reynisson poderia seguir hospedado.

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Vidir Reynisson, superintendente da Defesa Civil islandesa

O hóspede solitário, que tem achado graça da situação, diz que vive hoje “na maior mansão do país”. O convite para permanecer no local foi veio a calhar: o hotel fica bem próximo do centro de coordenação do Departamento de Proteção Civil e Gerenciamento de Emergências. É de lá que ele tem atuado para combater a pandemia.

O trabalho de Reynisson não se limita a orientar a população sobre o coronavírus ou atualizar os dados sobre mortos e infectados. Ele sugeriu, por exemplo, que as pessoas pensassem e conversassem sobre qualquer coisa, menos o coronavírus, por uma hora. A orientação era que o exercício fosse feito na noite do último domingo, das 20h às 21h. (O superintendente disse que conseguiu cumprir o desafio, ainda que tenha entrado em um telefonema de trabalho nesse intervalo.) No momento, as únicas pessoas com acesso ao hotel são ele e os guardas que fazem a segurança do prédio.

Primeira-ministra faz quarentena até receber exames

As autoridades islandesas têm levado a sério a determinação de isolamento das pessoas com suspeita de terem contraído a Covid-19, infecção respiratória causada pelo novo coronavírus. A primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir anunciou uma quarentena voluntária assim que ela soube que um colega de escola de seu filho mais novo estava com a doença. Nesta terça-feira, a líder islandesa informou que seu teste havia dado negativo – e, assim, ela poderia retornar ao trabalho.

A Islândia confirmou até o momento 648 casos de Covid-19 no país e duas mortes. A segunda delas ocorreu nesta terça – e foi a primeira de uma cidadã islandesa. Até então, um homem, um turista australiano, havia sido a única pessoa a morrer no país por causa do coronavírus.

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