Isolamento norueguês já faz efeito para desacelerar coronavírus

A quarentena deu tempo para os hospitais se prepararem para receber mais doentes; a Noruega também já testa vacinas e inclui pessoas saudáveis em exames

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Um país em casa: a praça em frente ao Palácio Real de Oslo vazia por causa da quarentena (Foto: Musa Jalloh / reprodução)

Em um mês, a Noruega saltou de um patamar de desemprego virtualmente inexistente para quase 11% de trabalhadores desempregados, o maior nível desde os anos 30. Mesmo com esse número alarmante, o país não se desviou de sua meta: a de reduzir ao mínimo possível o número de mortes causadas pela covid-19. Agora, em meio a um severo regime de isolamento da população, a estratégia de combate ao coronavírus começa a surtir efeito.

Foi graças à quarentena e a outras medidas preventivas que o país conseguiu reduzir a velocidade de disseminação do vírus, segundo novos dados sobre a pandemia. Isso deu tempo para tratar os pacientes que chegavam aos hospitais enquanto eles eram preparados para receber mais pessoas.

Na rede de hospitais do oeste da Noruega, por exemplo, houve até o momento cerca de 100 internações de pessoas que contraíram a covid-19. Sem as medidas de confinamento, o número poderia já estar próximo de 500, segundo Eivind Hansen, diretor do Hospital Haukeland. O hospital fica em Bergen, a segunda maior cidade norueguesa.

Lá e cá

“A iniciativa (de isolamento) parece estar funcionando (para frear o coronavírus). O fato de termos conseguido enfrentar a infecção e curar muitas pessoas que chegaram à terapia intensiva ao mesmo tempo foi fundamental”, disse Hansen, O diretor apresentou os dados em entrevista coletiva concedida na manhã desta segunda-feira.

Entre domingo (29) e segunda (30/3), o número de pacientes internados em hospitais noruegueses por causa da covid-19 passou de 317 para 321, um crescimento que, ainda que indesejável, é administrável. Hansen reforça a mensagem de que o número de infectados continuará a crescer (ainda não há, afinal, cura para a doença), mas que foi graças ao isolamento social que não houve superlotação nos hospitais.

Até esta segunda, a Noruega tinha 4.436 casos confirmados da doença. Logo atrás está o Brasil, com 4.362, segundo as estatísticas oficiais. Em número de mortes, no entanto, a diferença é grande entre os dois países – com números muito maiores em solo brasileiro. Na Noruega, morreram 32 pessoas até o momento; no Brasil, 141.

Exames universais e testes de vacinas 

O isolamento social não é a única medida adotada pelos noruegueses. Em uma de suas duas novas frentes de atuação, o país anunciou a decisão de fazer testes não apenas em quem apresenta sintomas da doença, mas também em pessoas aparentemente saudáveis. Assim, a Noruega segue uma iniciativa já adotada pela Islândia.

Para tratar os infectados pelo coronavírus, os noruegueses também começaram a testar vacinas desenvolvidas originalmente para enfrentar outras doenças. O estudo, encabeçado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), começou nesta segunda. O primeiro remédio a ser testado é o plaquenil, usado no tratamento de pessoas com malária. Em um segundo momento, o teste, que ocorrerá em 22 hospitais, será feito com um remédio de combate ao ebola.

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