Islândia quer ser local de quarentena de ricos na segunda onda da Covid

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Antes da pandemia país recebia por ano sete vezes a sua população. Nova estratégia pode mudar perfil do turismo na ilha. (Foto: visiticeland)

A combinação de chegada do inverno e da segunda onda da Covid-19, com medidas restritivas, estão deprimindo ainda mais o já combalido turismo global. As boas expectativas das vacinas ainda devem demorar algumas semanas para ser realidade e todos os países admitem que não haverá uma imunização em massa em um primeiro momento, apenas para grupos prioritários no estágio inicial de vacinação, adiando planos de retomada. Assim a Islândia, que em 2019 recebeu 2,3 milhões de estrangeiros, ou sete vezes a sua população, está buscando maneiras de ser o local de refúgio dos endinheirados nesta nova quarentena.

No começo do mês o país implementou mudanças eu seu programa de vistos para cidadãos fora do chamado “Espaço Schengen”, acordo que permite a livre-circulação de europeus entre diversos países, permitindo que pessoas de terceiros países possam ter longas estadias na Ilha de Fogo e Gelo, por até seis meses ininterruptos. Embora tecnicamente seja difícil classificar pessoas que ficam longas temporadas como “turistas”, neste mundo de pandemia o conceito está mais elástico e a iniciativa tem o claro o objetivo de atrair para o pessoas para uma nova temporada de quarentena.

Porém, como a ideia é turbinar a economia da ilha de 356 mil habitantes, não basta ser qualquer pessoa: para se beneficiar deste programa é preciso ter no mínimo um salário de US$ 7.360 mensais (ou cerca de R$ 40 mil), e seguro médico complementar. Assim, este grupo conseguiria trazer divisas para ilha, como alugando Airbnbs vagos desde março, sem causar aglomeração e sem risco de ampliar a demanda por serviços de saúde no país, que desde de março registrou apenas cinco mil casos e 25 mortes por Covid-19.

“A ideia é atrair profissionais de alto rendimento do Vale do Silício ou de São Francisco para gastar seu dinheiro aqui, em vez de lá”, explicou à Bloomberg Asta Gudrun Helgadottir, ex-parlamentar e integrante do Partido Pirata, que defende a democracia direta na ilha, lembrando que outros países, sobretudo ilhas do Caribe, também criaram programas para atrair o “turismo da quarentena”, porém afirma que, no caso da Islândia, ela é mais focada em profissionais de alta renda.

Neste ano, mesmo com a retomada do turismo no verão Europeu onde muitos países conseguiram virtualmente zerar a pandemia, a Islândia recebeu 79% menos turistas que em 2019. Para muitos, este projeto de quarentena pode ser a chave para o futuro do turismo da ilha: menos pessoas, para não sobrecarregar a infraestrutura do país, porém com pessoas com mais dinheiro, o que pode movimentar melhor a ilha. Ao que tudo indica, este pode ser um dos legados da pandemia para o país famoso por suas geleiras e vulcões.

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