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Islandeses comemoram os 30 anos do fim da proibição da cerveja no país

Durante mais de 70 anos, vender cerveja foi atividade ilegal na Islândia. A proibição acabou há exatos 30 anos, no dia 1° de março de 1989, data que no país passou a ser o Dia da Cerveja – e se transformou, claro, em um motivo adicional para celebrar consumindo a bebida. A imagem acima foi tirada no primeiro dia do fim da proibição. A expressão dos fotografados mostra que, para os fãs da cerveja, a lei durou tempo demais.

A história da proibição da cerveja na Islândia passou por muitas reviravoltas. Essa trajetória começou em 1915 com uma proibição de todas as bebidas alcoólicas, que acabaria sendo derrubada a partir do lobby de uma fonte improvável: a Espanha. Como relata a revista Iceland Review, os espanhóis queriam que seus vinhos fossem exportados e vendidos na Islândia. Para reforçar a pressão, A Espanha passou a se recusar a importar peixe islandês, a menos que a Islândia alterasse suas leis do álcool para permitir a venda de vinho, o que ocorreu em 1921.

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Uma nova guinada ocorreu em 1935, quando o país mudou a lei e passou a permitir a venda de destilados fortes, mas mantendo a proibição de qualquer cerveja com teor alcoólico superior a 2,25%. Existem várias razões para que bebidas fortes fossem legalizadas enquanto a cerveja permaneceu proibida. Uma delas foi o argumento dos defensores da nova regra de que os jovens estavam mais interessados em cerveja do que em destilados e que, sendo mais barata, a cerveja teria consumo mais generalizado.

Havia também um fator político na proibição. A Islândia estava engajada na luta pela independência da Dinamarca na época – e os islandeses associaram fortemente a cerveja ao estilo de vida dinamarquês. "Como resultado, a cerveja acabava não sendo uma escolha patriótica", disse à BBC o historiador Stefan Palsson, autor do livro Beer: Around the World in 120 Pints.

Mas os islandeses não se deram por vencidos. Alguns empreendedores criativos inventaram o "bjórlíki", uma junção das palavras cerveja (bjór) e margarina (smjörlíki). Uma porção tradicional de bjórlíki era feita de uma grande porção de "quase-cerveja", com teor alcoólico de 2,25% , e uma dose de um destilado forte, geralmente vodka, adicionada à mistura. O governo tentou revidar, e em 1985 o Ministério da Justiça proibiu os bares de servir bjórlíki.

Mas, no fim das contas, as autoridades perceberam que proibir a cerveja era um esforço inútil, e a proibição foi suspensa em 1º de março de 1989. Hoje, a cerveja responde por quase dois terços do consumo de álcool no país, de mais de 7 litros per capita. É uma proporção superior à tradicionais nações cervejeiras, como a Alemanha e a República Tcheca.

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