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O impacto do coronavírus sobre as economias dos países nórdicos

Com retração que, em um dos países, pode ser a maior em 100 anos, a região já antevê declínios históricos em 2020; conheça as projeções

Nos últimos dias, os países nórdicos atualizaram as projeções para o desempenho de suas economias no ano marcado pela crise do coronavírus. Em todos eles, os tombos serão históricos. Ainda assim, em vez de afrouxar as medidas de isolamento social, os governos as intensificaram.

Em alguns casos, como os de Dinamarca e Noruega, as quarentenas de duas semanas inicialmente previstas foram estendidas; só em meados de abril elas começarão a ser revistas, e ainda assim de maneira gradual. Em outros, como no da Suécia, a decisão de adotar medidas menos restritivas foi reavaliada. O país pretende agora acentuar o isolamento para conter o número de vítimas.

Nenhum dos países nórdicos tratou o novo coronavírus como uma encruzilhada em que se deveria escolher a saúde da população ou a atividade econômica. Em linhas gerais, todos concentraram os esforços para salvar vidas, já que a economia seria atingida com ou sem o fechamento de empresas, escolas e repartições públicas. A recuperação de empregos e empresas será a prioridade assim que as medidas de saúde pública tiverem cumprido a meta de reduzir o número de vítimas.

O Scandinavian Way fez um levantamento das projeções para o desempenho das economias dos países nórdicos em 2020, o ano do coronavírus. Veja abaixo as previsões.

DINAMARCA: “CAPÍTULO SOMBRIO DA HISTÓRIA ECONÔMICA”

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Superlua na quarentena: imagem de Copenhague no dia 7 de abril (Foto: Jens Bundvad)

A economia dinamarquesa deve encolher entre 3% e 6% em 2020, segundo a projeção apresentada nesta quinta-feira (9/4) pelo ministro das Finanças, Nicolai Wammen. “Nós estamos enfrentando um enorme golpe na economia dinamarquesa”, disse ele em uma coletiva de imprensa. “O segundo trimestre deste ano deve ser um dos capítulos mais sombrios da história econômica do país.”

O forte declínio do produto interno bruto (PIB) já havia aparecido na previsão apresentada na semana passada pelo banco central dinamarquês. Para o BC, a retração pode ficar entre 3% e 10%, a depender da duração da crise; segundo seus cálculos, o cenário mais provável é o de encolhimento de 5%. Por sua vez, o Conselho Econômico Dinamarquês, que assessora o poder público em decisões sobre economia e meio ambiente, fala em queda do PIB entre 3,5% e 5,5%. A previsão foi revelada nesta segunda-feira (6/4).

Em linha com debates que já ocorrem no Parlamento, Wammen disse que a Dinamarca pode usar a saída da crise para uma “retomada verde” da economia. “Ao acentuarmos nossas metas de combate às mudanças climáticas, nós também estimulamos empregos e empresas no país”, afirmou o ministro. “Nós precisamos aproveitar a oportunidade.”

FINLÂNDIA: PIOR RETRAÇÃO EM MAIS DE UM SÉCULO

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Entardecer em Helsinque: registro da capital finlandesa sob as medidas de isolamento social (Foto: Laku Lance)

Nas projeções do banco central, o PIB do país pode encolher de 5% a 13%. Se os números mais pessimistas se concretizarem, a economia finlandesa terá seu pior desempenho em mais de 100 anos, registrou a agência Bloomberg. Em 1917, ano em que a Finlândia declarou sua independência da Rússia Soviética, sua economia encolheu 16,1%.

A nova projeção é bem mais pessimista que a anterior, apresentada há apenas três semanas, na qual o BC estimou que a queda do PIB em 2020 não passaria de 4%. Mas há espaço para que o pior cenário não se materialize, segundo a autoridade monetária. “Uma recuperação bastante rápida permanece possível se as medidas de isolamento social não precisarem ser mantidas por um longo tempo e se uma onda de falências e desemprego em massa for evitada”, disse o presidente do banco central, Olli Rehn.

Nesta quinta (9/4), o governo finlandês confirmou que as medidas de isolamento social adotadas na pandemia serão estendidas até o dia 13 de maio. Os restaurantes, que só fecharam a partir de 4 de abril, ficarão sem receber clientes até o fim de maio. Eles só poderão atender serviços de entrega.

ISLÂNDIA: UM ABALO COMO O DA CRISE GLOBAL DE 2008-2009

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Isolamento islandês: vista externa do Hotel Borg em Reykjavík no dia 5 de abril (Foto: Jón Valur Gudmundsson)

Poucos países no mundo sofreram tão fortemente os efeitos da crise financeira global do biênio 2008-2009 quanto a Islândia. Um dos motores de sua retomada foi a indústria do turismo, que se tornou o principal produto de exportação islandês e hoje responde por quase 10% de seu PIB. Agora, com a crise do coronavírus, o status atingido pelo turismo tornou-se um problema: a virtual paralisação dos voos internacionais já atinge em cheio a economia do país.

O Banco Central da Islândia não revela publicamente atualizações de suas projeções oficiais desde 25 de março. Naquela data, Thórarinn G. Pétursson, economista-chefe da instituição, declarou que a retração econômica em 2020 deve ficar próxima de 5%, segundo registrou o jornalista Sigurður Már Jónsson em sua coluna no mbl.is, o principal portal de notícias do país. Dois dias antes, o ministro das Finanças, Bjarni Benediktsson, já havia afirmado que a contração do PIB islandês pode ser de 6% a 7% neste ano. O desempenho, se ocorrer, será equivalente ao de 2009, quando a queda foi de 6,9%.

Jóhannes Skór Skúlason, diretor da Associação da Indústria de Viagens da Islândia, diz que nada menos que metade de todas as empresas do setor corre risco de fechar as portas se não receber auxílio. Nos próximos meses, afirma o dirigente, muitas dessas companhias simplesmente não terão faturamento. “Em geral, por pelo menos três meses, as empresas estão prevendo um completo colapso de suas receitas“, disse ele ao jornal Morgunbladid. “Em termos realistas, uma boa temporada para os negócios não deve ocorrer até o verão de 2021.”

NORUEGA: QUEDA DO PIB SIMILAR À DA SEGUNDA GUERRA

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Oslo na quarentena: registro do Parque Sofienberg, na capital da Noruega, no dia 7 de abril (Foto: Anette Berger)

Uma das projeções mais recentes para o desempenho da economia da Noruega no ano da crise do coronavírus foi apresentada pela NHO, a confederação nacional de empresas. Segundo um relatório publicado pela entidade nesta terça-feira (7/4), o PIB norueguês deve sofrer em 2020 um tombo de 8,7%.

Para se ter ideia do que isso significa em termos práticos, com esse declínio, a economia norueguesa perderá, por dia, 1 bilhão de coroas (quase R$ 500 milhões, em valores atuais) em relação a 2019. “Há muitos fatores incertos nesses cálculos, mas sabemos que a queda na economia norueguesa será grande, mesmo nos cenários mais otimistas”, diz Øystein Dørum, economista-chefe da NHO.

Caso a retração prevista pela entidade se confirme, o PIB do país terá uma queda similar à registrada em 1940, quando a Alemanha nazista invadiu a Noruega. Naquele ano, a economia norueguesa encolheu 9,2%, segundo registrou o jornal Dagens Næringsliv.

SUÉCIA: “RECESSÃO MUITO PROFUNDA”

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Quarentena sueca: vista das torres da Catedral de Lund, na Suécia (Foto: Stig Johansson)

A pandemia tornou muito mais imprecisos os cálculos sobre o desempenho da economia global. No dia 1° de abril, o Instituto Nacional de Pesquisa Econômica (ou, no original, Konjunkturinstitutet), da Suécia, fez essa ressalva ao apresentar sua projeção para o PIB do país em 2020. Mas não houve dúvida sobre o efeito devastador que o coronavírus terá sobre a economia global, a dos países nórdicos e também a da Suécia.

“A pandemia da covid-19 atingirá fortemente a economia sueca. É difícil precisar o tamanho do impacto, mas uma recessão muito profunda se aproxima”, diz o relatório. Segundo o instituto, uma agência pública responsável por análises e projeções econômicas, o PIB da Suécia sofrerá um tombo de pouco mais de 6% no segundo trimestre. No ano, a retração deverá ser de 3,2%.

O Konjunkturinstitutet acredita que as medidas do governo para amenizar os efeitos do coronavírus sobre a economia foram positivas, mas insuficientes. É preciso fazer mais para limitar o aumento do desemprego, avalia o instituto. Segundo os autores da análise, com uma dívida pública relativamente baixa, o Estado tem espaço para ações adicionais de estímulo à atividade econômica.

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