Groenlândia impõe restrição extra na quarentena: a de bebidas

Controlada pela Dinamarca, a ilha proibiu a venda de álcool para conter os casos de violência contra crianças, historicamente altos no território

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Groenlândia coronavírus bebidas alcoólicas
Nuuk, a capital da Groenlândia: a proibição da venda de bebidas alcoólicas vai até 15 de abril

A Groenlândia deu um passo adiante nas restrições impostas para combater o coronavírus ao proibir também a venda de bebidas alcoólicas. A medida foi anunciada no último sábado (28/3) e deve se estender até pelo menos o dia 15 de abril.

Por trás da decisão está um dado triste sobre a vida na ilha, um território semiautônomo controlado pela Dinamarca: os altos índices de violência contra crianças. Segundo o governo groenlandês, os casos de agressão doméstica cresceram desde que as escolas da ilha foram fechadas, no dia 23 de março.

Na quarentena do coronavírus, a venda de bebidas alcoólicas foi proibida em Nuuk, a capital da Groenlândia, e também nos vilarejos de Kapisillit e Qeqertarsuatsiaat. “Diante do quadro atual, precisamos tomar inúmeras medidas para evitar mais contaminações”, disse o primeiro-ministro Kim Kielsen. “Mas, no centro da minha decisão, está a proteção das crianças. Elas precisam ter um lar seguro.”

Combate a abusos na infância

Segundo o jornal britânico The Guardian, quase um terço das pessoas que vivem na Groenlândia sofreu abuso sexual durante a infância. Especialistas vinculam esse número elevado ao consumo abusivo de álcool e drogas e também ao desconhecimento sobre os direitos das crianças. O governo já criou um programa que tem como objetivo erradicar o abuso sexual de menores até 2022.

Até o dia 3 de abril (sexta-feira), a Groenlândia havia registrado dez casos de covid-19, a infecção respiratória causada pelo novo coronavírus. O primeiro caso na ilha foi revelado no dia 16 de março. Para conter a disseminação, o governo proibiu reuniões com a participação de mais de dez pessoas, interrompeu o tráfego aéreo e, desde 13 de março, está com suas fronteiras fechadas para a entrada de estrangeiros que não tenham residência fixa na ilha.

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