Nada de “futebol feminino”: na Finlândia, agora é só futebol

Antes chamada Liga Feminina, a principal divisão disputada pelas mulheres foi rebatizada e não terá mais referência ao gênero das atletas

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"Futebol é futebol, não importa quem chuta a bola": decisão da Federação Finlandesa valerá a partir de 2020 (Foto: Fifa)

Em campo, a seleção feminina de futebol da Finlândia ocupa hoje a 28ª posição no ranking da Fifa, entidade que comanda a modalidade no mundo. Essa posição é a pior entre as equipes nórdicas. Mas, em sua busca por igualdade de gêneros, o futebol finlandês já é uma referência global. O país acaba de dar um passo adiante nesses esforços ao renomear a própria modalidade: agora, na Finlândia, o nome do “futebol feminino” é, simplesmente, futebol.

A Federação Finlandesa de Futebol anunciou nesta quinta-feira (27/2) a decisão de rebatizar a principal competição disputada pelas mulheres no país. Antes conhecida como “Liga Feminina”, a divisão mais importante do torneio passará a se chamar Kansallinen Liiga (Liga Nacional) a partir da temporada 2020.

“Na comunidade esportiva, é comum que se fale em ‘esportes’ e ‘esportes femininos’, como se a versão das mulheres fosse algo menor, o que obviamente não é o caso”, disse Heidi Pihlaja, chefe de desenvolvimento de futebol feminino da Federação de Futebol da Finlândia. “Futebol é futebol, não importa quem chuta a bola. Alguns podem ver a mudança de nome como insignificante, mas, na verdade, é uma afirmação forte, que representa uma mudança cultural mais ampla na comunidade esportiva e em nossa sociedade”.

Prêmios iguais para homens e mulheres

A decisão da Federação Finlandesa ocorre poucos meses depois de outra que também carrega enorme simbologia. Em setembro, as atletas da seleção assinaram com a entidade um contrato que assegura a elas as mesmas premiações pagas aos homens em vitórias e empates. O acordo tem validade de quatro anos.

Os resultados da seleção finlandesa ainda não se equiparam, por exemplo, aos da Noruega, campeã mundial em 1995, ou da Suécia, que ocupa o quinto lugar no ranking da Fifa e foi vice-campeã na Copa do Mundo de 2003 e nos Jogos Olímpicos de 2016. Mas, na busca por igualdade, as mulheres do futebol escandinavo têm todas somado vitórias nos últimos anos. Para citar um caso, antes da Finlândia, a Noruega já havia assegurado premiações iguais para as seleções masculina e feminina. O acordo foi assinado em outubro de 2017.

As conquistas das mulheres finlandesas não são um fenômeno recente – e nem se restringem ao universo esportivo. Há pouco mais de um século, a Finlândia foi, por exemplo, o primeiro país do mundo a eleger mulheres para o Parlamento. Hoje, esse pioneirismo tem entre seus desdobramentos o fato de o país ser comandado pela primeira-ministra Sanna Marin. Aos 34 anos, ela é a chefe de governo em exercício mais jovem do mundo.

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