Megafundo norueguês decide vetar aportes em Vale e Eletrobras

Rompimentos de barragens da mineradora e problemas sociais na usina de Belo Monte fizeram fundo soberano excluir as empresas de seus investimentos

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Rompimentos de barragens em Minas Gerais e problemas sociais em Belo Monte fizeram Vale e Eletrobras serem excluídas do portfólio do fundo soberano da Noruega
Tragédia em Brumadinho: rompimentos de barragens em Minas Gerais fizeram a Vale ser excluída do portfólio do fundo norueguês (Foto: Adriano Machado / Reuters)

As mineradora Vale e a Eletrobras, que atua em geração, transmissão e distribuição de energia, já não estão mais entre os investimentos do fundo soberano da Noruega – que, com patrimônio de cerca de US$ 1 trilhão, é o maior do gênero no mundo. Ambas foram excluídas do portfólio do fundo, responsável por administrar os recursos gerados pelo petróleo do país. A exclusão foi anunciada nesta quarta-feira (13/5) em Oslo, um dia depois de a decisão ter sido tomada.

O Norges Bank Investment Management (NBIM), nome oficial do fundo, retirou a Vale de sua lista de investimentos por causa das tragédias ambientais protagonizadas pela mineradora nos últimos anos. No comunicado, o fundo relembra os desastres nas cidades mineiras de Mariana e Brumadinho, ambos causados por rompimentos em barragens de rejeitos. Em Mariana, o rompimento de uma barragem da Samarco (empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton) matou 19 pessoas em novembro de 2015. Na tragédia de Brumadinho, ocorrida em janeiro do ano passado, foram 237 mortes.

A Eletrobras entrou na lista de vetos do fundo soberano da Noruega em virtude da violação de direitos humanos durante o desenvolvimento da hidrelétrica de Belo Monte, de acordo com o informe sobre a decisão. “Muitos territórios indígenas foram severamente afetados pelo projeto [que] também desalojou pelo menos 20 mil indivíduos, incluindo pessoas (…) que costumavam morar em ilhas e regiões ribeirinhas que agora estão submersas.”

Riqueza para as próximas gerações

A exclusão de Vale e Eletrobras ocorreu quase um ano depois de o conselho de ética do fundo ter recomendado a retirada de ambas do portfólio. No caso da mineradora, a exclusão foi sugerida no dia 12 de junho de 2019; e, no da empresa de energia, um pouco antes, em 27 de maio. No fim do ano passado, o fundo tinha US$ 375 milhões em ações da Vale, o equivalente a 0,54% do capital total da empresa. Os papéis da Eletrobras equivaliam a US$ 52 milhões (0,41% da companhia).

Criado no início dos anos 90, o fundo tem como principal missão garantir que a riqueza gerada pelo petróleo fique também para as próximas gerações. Já faz mais de uma década que o fundo passou priorizar investimentos em empresas altamente comprometidas com a sustentabilidade.

Depois de encerrar 2019 com um patrimônio recorde de US$ 1,2 trilhão, o fundo diminuiu um pouco de tamanho no primeiro trimestre de 2020. Em 31 de março, sob o efeito da crise do coronavírus, seus ativos somavam cerca de 10 trilhões de coroas, ou perto de US$ 1 trilhão. Os investimentos no Brasil eram de US$ 9,6 bilhões no fim do ano passado. Desse bolo, US$ 7,6 bilhões estavam em ações e US$ 2 bilhões em renda fixa.

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