Início Sociedade Na fronteira Dinamarca-Alemanha, o amor nos tempos da covid-19

Na fronteira Dinamarca-Alemanha, o amor nos tempos da covid-19

Sem poderem ir de um lado a outro na pandemia, dinamarquesa de 85 anos e seu namorado alemão, de 89, encontram-se no local para tomar café e conversar

Com a travessia entre Dinamarca e Alemanha proibida por causa da pandemia, um casal de octogenários fez da fronteira entre os dois países seu novo ponto de encontro. Sob o regime imposto pelo novo coronavírus, a dinamarquesa Inga Rasmussen, de 85 anos, e o alemão Karsten Tüchsen Hansen, de 89, mantiveram o romance com encontros diários na divisa entre as cidades de Tønder, na Dinamarca, e Aventoft, na Alemanha.

Viúvos, eles se conheceram há dois anos, e desde março de 2019 se veem todos os dias. A rotina de encontros ficou comprometida quando Dinamarca e Alemanha fecharam suas fronteiras como parte dos esforços para conter a pandemia. Os dinamarqueses fecharam primeiro, no dia 14 de março; dois dias depois, os alemães fez o mesmo.

Sem poder ir de um lado a outro, o casal de idosos bolou a alternativa para realimentar o amor nos tempos da covid-19: encontros diários na fronteira mesmo. Antes da pandemia, a casal normalmente se abraçava e se beijava ao se ver. Agora, eles obedecem as regras de distanciamento, o que não os impede de conversar ao ar livre, comer biscoitos, beber café ou uma dose de Geele Köm, bebida alcoólica popular do norte da Alemanha.

Ela dirige e ele pedala

Inga mora na cidade dinamarquesa de Gallehus e Karsten, em Süderlügum, do lado alemão. Os encontros ocorrem sempre por volta de 15h. Ela vai ao local dirigindo seu carro – e só bebe café – levando a mesa, as cadeiras e as bebidas. Ele se desloca de bicicleta elétrica.

A história do casal ficou conhecida quando Henrik Frandsen, prefeito de Tønder, do lado dinamarquês, passou pelo local em um passeio de bicicleta. Ele fotografou os namorados e postou a imagem no Facebook. Desde então, Inga e Karsten viraram uma espécie de estrelas locais – e inspiradoras – durante a pandemia. Sua história foi contada em veículos que vão das rádios das cidades próximas ao jornal americano The New York Times.

“Eu acho que [a história do casal] traz um pouco de esperança às pessoas, um pouco de luz na escuridão”, disse o prefeito à publicação. E traz também um pouco também de bom humor. Inga Rasmussen relata que, quando suas três filhas eram adolescentes, sempre as aconselhou a não se casarem com um homem alemão. Não por xenofobia, explica a dinamarquesa, mas porque ela não queria que as filhas fossem morar longe de sua casa. “Agora, minhas filhas ficam me perguntando o que é que eu estou fazendo.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia também

direito ao esquecimento bandeira da Suécia

“Direito ao esquecimento” faz Google levar multa recorde na Suécia

0
Na última semana, o descumprimento do chamado "direito ao esquecimento" fez o Google levar uma multa sem precedentes na Suécia. Com base em uma...
- Publicidade -