Finlândia planeja teste de vacina nasal contra o novo coronavírus

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No mundo, a corrida é para controlar o avanço das variantes do novo coronavírus. (Foto: Sami Takkinen / Yle)

Em um cenário ainda de escassez de doses e dúvidas sobre a necessidade de atualizações de vacinas por causa das variantes do coronavírus, pesquisadores da Finlândia anunciaram que planejam avançar nos testes com humanos do imunizante desenvolvido no país. Ele, contudo, tem uma peculiaridade: ela é administrada via nasal.

A decisão de fazer a vacina administrada por via nasal em vez de por injeção foi devido à forma como o novo coronavírus é transmitido – através do sistema respiratório, de acordo com o professor da Academia Seppo Ylä-Herttuala da Universidade da Finlândia Oriental. “As vacinas injetadas por via intramuscular produzem anticorpos IgG (imunoglobulina G) na corrente sanguínea, mas as vacinas nasais também produzem uma resposta IgA que protege as membranas mucosas. Presumimos que isso também pode impedir que aqueles que receberam a vacina transmitam o vírus”, Ylä-Herttuala disse em um comunicado divulgado na segunda-feira.

O projeto que agora está buscando recursos para iniciar a forma de testes é relativamente novo. Esta vacina surgiu de pesquisadores acadêmicos que fundaram recentemente o Rokote Laboratories Finland, que começaram a desenvolver o imunizante na primavera passada do Hemisfério Norte — ou seja, há cerca de um ano —, na Universidade de Helsinque e na Universidade do Leste da Finlândia.

Embora o mundo já tenha algumas vacinas contra a Covid-19 em uso e algumas outras em reta final de produção, os finlandeses defendem a continuidade dos testes. Além da questão da falta de doses em todo o mundo e da eventual necessidade de atualização dos imunizantes, ainda não está claro, para nenhum dos produtos disponíveis até o momento, qual o prazo de imunização dada pelas atuais vacinas. Embora estima-se que algumas possam garantir imunidade por vários anos, outras pesquisas indicam que elas podem ter de serem repetidas em curtos intervalos, como ocorre com a vacina da gripe.

“Mesmo se pudéssemos vacinar toda a população, pelo menos as pessoas em grupos de risco médico ainda precisarão de novas vacinas contra novas variantes nos próximos anos. As vacinas atualmente em uso fornecem uma proteção claramente menor contra a variante sul-africana, que provavelmente será o vírus dominante na próxima onda. Nossa vacina já leva em consideração as variantes mais importantes, ou seja, a sul-africana, a brasileira e a britânica. Certamente haverá uma demanda por esse tipo de vacina ”, disse o professor de Virologia Kalle Saksela, da Universidade de Helsinque, que participa do projeto.

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