Ex-premiê da Dinamarca lidera “tribunal de polêmicas” do Facebook

Primeira-ministra entre 2011 e 2015, Helle Thorning-Schmidt será uma das quatro pessoas à frente do conselho de moderação de conteúdos da plataforma

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Helle Thorning-Schmidt será uma das quatro pessoas à frente do grupo, uma espécie de tribunal do Facebook
Liderança global: Helle Thorning-Schmidt dividirá a presidência do conselho com mais três especialistas (Foto: Monika Flueckiger / WEF)

A ex-premiê dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt vai presidir o Oversight Board, uma espécie de “tribunal de polêmicas” criado pelo Facebook. A maior rede social do mundo revelou nesta quarta-feira (6/5) os integrantes do grupo, que terão poder de decidir o que pode ou não ser excluído da plataforma. De caráter independente, o conselho poderá revogar determinações da companhia e também de seu fundador e presidente-executivo, Mark Zuckerberg.

Ao todo, o grupo tem 20 integrantes da área acadêmica, da imprensa e de organizações da sociedade civil ligadas ao direito e à defesa de direitos humanos. Helle Thorning-Schmidt, que foi primeira-ministra da Dinamarca entre 2011 e 2015, é hoje presidente da Save the Children, centenária organização não-governamental de defesa dos direitos das crianças.

O conselho terá outros três integrantes dividindo a presidência com a ex-premiê. Além dela, assumirão a função Jamal Greene, professor de direito da Universidade Columbia, nos Estados Unidos; Catalina Botero-Marino, diretora da Faculdade de Direito da Universidade de Los Andes, na Colômbia; e Michael McConnell, também professor de direito, em Stanford.

Dois anos de espera

Visto por muitos críticos como relapso no combate a notícias falsas e discursos de ódio, o Facebook vinha falando sobre a criação do “tribunal” há pelo menos dois anos. A plataforma tem políticas próprias sobre a veiculação de conteúdo que estabelecem por que uma publicação pode ser excluída. No entanto, há dificuldade para regular manifestações que ficam na zona cinzenta dessas diretrizes.

Casos que envolvem discurso de ódio, por exemplo, muitas vezes dependem de avaliação contextual, cultural e geográfica. A empresa pretende fazer frente a esse desafio com a diversidade de perfis do Oversight Board; seu integrantes já viveram ou trabalharam em 27 países e falam 29 diferentes idiomas. Entre os 20 membros está o brasileiro Ronaldo Lemos, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em direito por Harvard e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), ele é também pesquisador e representante no Brasil do MIT Media Lab.

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