Dinamarca é um dos países menos feministas do mundo e Suécia, um dos mais

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A Dinamarca é um dos melhores lugares do mundo para ser mulher. Lá, a diferença salarial entre homens e mulheres é bastante pequena, há igualdade de direitos trabalhistas, creches para toda a população e algumas das mulheres aposentadas mais felizes do planeta. Curiosamente, uma pesquisa de abrangência global descobriu que o país é um dos menos feministas do mundo desenvolvido – e igualmente curioso é que essa descoberta contrasta com a vizinha Suécia, que aparece entre os mais feministas.

Segundo o levantamento, apenas 25% das dinamarquesas se dizem feministas, resultado que coloca o país no extremo oposto das suecas – ao todo, 46% delas declararam ser feministas. (Quando considerados homens e mulheres, apenas um em cada seis dinamarqueses se consideram feministas). 

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Entre os entrevistados, um terço dos dinamarqueses disse que assobios na rua são aceitáveis e dois em cada cinco têm uma visão negativa sobre o movimento #MeToo, informa o jornal britânico The Guardian. A pesquisa, feita pelo YouGov-Cambridge Globalism Project, ouviu mais de 25 mil pessoas em 23 nações desenvolvidas.

E por que as dinamarquesas destoam tanto do restante do mundo nesse tema? Rikke Andreassen, professora de Estudos da Comunicação na Universidade de Roskilde, acredita que a questão é cultural. Ela argumenta que uma das razões pelas quais os dinamarqueses toleram manifestações como assovios na rua ou comentários que, em outros países, são vistos como inapropriados é a crença de que, quando fica claro que não há má intenção no gesto, o comportamento deve ser desculpado.

"Nós vivemos em uma cultura em que o que você diz não é racista ou sexista se essa não era sua intenção", disse a professora ao Guardian. "Se você toca em uma mulher, mas em um contexto em que aquilo era uma 'brincadeira', culturalmente, nós tendemos a pensar que não é tão ruim assim."

Essa pode ser parte da razão pela qual o debate desencadeado pelo movimento #MeToo teve um desempenho tão diferente na Dinamarca do que do outro lado do Estreito de Öresund, na Suécia. Apenas 4% dos homens e 8% das mulheres ouvidos pela pesquisa na Dinamarca disseram ter uma impressão “muito favorável” do movimento #MeToo, em comparação com 16% e 34% na Suécia e 19% e 24% na média geral dos países.

“É uma questão difícil. O que é uma feminista moderna?”, disse ao jornal Helene Frost, uma dinamarquesa de 37 anos. "Eu não quero ser igual (aos homens) em todos os aspectos."

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