Dinamarca discute economia (ainda) mais verde após coronavírus

Um dos principais partidos da coalizão que governa o país propôs fortes investimentos em áreas como eficiência energética residencial

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Todos em casa: a Dinamarca impôs a medida de isolamento social no dia 11 de março

Os dinamarqueses estão hoje entre os mais avançados do mundo na adoção de fontes de energia menos poluentes. Isso não significa que não haja caminhos para melhorar. O Partido Social Liberal acaba de apresentar uma proposta para uma “retomada verde” da economia. A ideia da legenda, uma das maiores da coalizão que governa a Dinamarca, é redirecionar a atividade econômica quando acabar o isolamento social imposto pelo coronavírus.

“Precisamos de um reinício verde para que a crise da saúde não se transforme em profunda crise econômica e para que a batalha contra a crise climática não acabe sendo deixada para trás, esquecida”, escreveu no Twitter Morten Østergaard, líder da legenda. Ele também falou sobre o assunto em uma entrevista posterior à rede estatal TV2. “Se é para o reinício da Dinamarca (após a quarentena do coronavírus) ser verde, a hora de decidir é agora.”

Nesta quinta-feira (2/4), Østergaard propôs 13 iniciativas verdes que, ele acredita, ajudarão a impulsionar a economia dinamarquesa após a quarentena. Entre as propostas estão investimentos de 18,4 bilhões de coroas (R$ 14 bilhões) em aumento da eficiência energética em residências; financiamento público para expandir a rede de pontos de carregamento de carros elétricos; e criação de um fundo de 500 milhões de coroas (R$ 383 milhões) para acelerar a substituição do carvão como fonte de energia.

No fim de 2019, a legenda teve papel central na definição da meta de reduzir as emissões dinamarquesas de carbono em 70% até 2030, uma das mais ambiciosas da Europa. O Partido Social Liberal é o principal aliado dos social-democratas na coalizão que comanda o país desde 2019. A primeira-ministra Mette Frederiksen assumiu o governo após a vitória de seu partido nas eleições parlamentares de junho do ano passado.

Debate vai além do raso “esquerda x direita”

A coalizão que hoje comanda a Dinamarca é de centro-esquerda, mas, nesse tema, a discussão não tem nada de “esquerda x direita”. Uma evidência disso é que o Partido Liberal, de centro-direita, também está defendendo investimentos públicos bilionários em áreas como infraestrutura, construção civil e em turbinas eólicas em alto-mar.

“Acreditamos que essas medidas podem ser antecipadas para que muitas das empresas que estão hoje com sua carteira de pedidos vazia possam recomeçar”, disse nesta quarta o líder do partido, Jakob Ellemann-Jensen. Os liberais são a principal legenda de oposição hoje na Dinamarca.

O ministro das Finanças, Nicolai Wammen, disse à TV2 que não revelaria quais das ideias já apresentadas ele poderia apoiar. A manifestação só deve ocorrer depois que o governo apresentar seu próprio plano de retomada da economia.

A Dinamarca impôs o isolamento social no dia 11 de março. Inicialmente, as medidas deveriam durar duas semanas, mas na semana passada elas foram prorrogadas até abril. No último domingo (30/3), com sinais de que a velocidade de disseminação da covid-19 no país começou a cair, o governo informou que pretende iniciar uma retomada gradual logo depois da Páscoa.

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