Início Sociedade Coronavírus: Dinamarca adia R$ 88 bi em impostos de empresas

Coronavírus: Dinamarca adia R$ 88 bi em impostos de empresas

Governo do país anunciou medidas para aliviar contas de companhias afetadas pelo surto; pacote inclui prazo adicional para pagamento de tributos

A Dinamarca vai oferecer alívio fiscal para as empresas afetadas pelo coronavírus, segundo um pacote emergencial apresentado nesta terça-feira (10/3). Entre as medidas anunciadas estão um prazo adicional de um mês para recolhimento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que incide sobre o consumo de bens e serviços. Com mais tempo para pagar seus tributos, as empresas dinamarquesas devem ganhar um reforço em suas contas de 125 bilhões de coroas (equivalente a R$ 88 bilhões), de acordo com a estimativa oficial.

Eis o raciocínio do governo dinamarquês: ao cancelarem viagens, seminários, eventos esportivos e outras atividades, as empresas estão deixando de fazer negócios. Isso significa que, com menos demanda, elas vendem menos – e, portanto, arrecadam menos imposto para o governo. Manter o ritmo de despesas fiscais em um cenário de queda brusca de receita por causa do coronavírus poderia significar um estrangulamento do caixa das companhias.

“A disseminação do coronavírus tem afetado a economia dinamarquesa. A situação se deteriorou rapidamente, e os setores mais expostos ​​já sofrem as consequências. No futuro, veremos impactos ainda maiores, que podem atingir mais amplamente a economia do país”, disse o ministro das Finanças, Nicolai Wammen, em comunicado. “É por isso que precisamos agir desde já para apoiar as empresas pressionadas.”

Mais medidas

O prazo extra para recolhimento do IVA é válido para companhias de grande porte. As medidas incluem ainda quatro meses adicionais para pagamento de contribuições trabalhistas – esta, válida para empresas de todos os tamanhos. Além disso, haverá compensação para quem cancelou ou postergou eventos que teriam mais de mil participantes. Para eventos menores, a compensação ocorrerá nos casos em que o público seria formado por quem mais está ameaçado de contrair a Covid-19 – idosos, por exemplo -, a infecção respiratória causada pelo novo coronavírus.

Para além de medidas econômicas, a Dinamarca agiu contra a doença também em outras frentes. Um exemplo: a lei do país exige que o processo de naturalização de estrangeiros seja concluído com um aperto de mãos, mas, durante o surto, não haverá exceções no procedimento, segundo o governo. Assim, para evitar a transmissão do coronavírus nessas solenidades, elas estão suspensas por tempo indeterminado.

A Dinamarca está entre os dez países com mais casos de infecção pelo coronavírus na Europa e entre os 15 mais afetados no mundo. Até esta quarta-feira (11/3), havia 340 confirmações de pessoas infectadas, segundo o Centro de Sistemas de Ciência e Engenharia da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos.

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