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Coronavírus e petróleo atingem em cheio a coroa norueguesa

Nesta quinta, ao cair 14%, a moeda teve seu pior desempenho em um só dia desde 1992; declínio fez o BC do país cortar juros duas vezes em uma semana

Nesta quinta-feira (19/3), em um intervalo de menos de 24 horas, a coroa norueguesa perdeu 14% de seu valor em relação ao dólar. Descrito pelo jornal Financial Times como “o maior tombo da moeda norueguesa nos tempos modernos“, o declínio tem origem dupla: a crise global do coronavírus e a queda do preço do petróleo.

Trata-se do que muitos economistas costumam chamar de “tempestade perfeita”. De um lado, o coronavírus tem atingido os preços dos ativos em todo o mundo. Com as muitas incertezas sobre qual será o impacto da infecção respiratória Covid-19, causada pelo vírus, sobre a economia global, muitos investidores têm redirecionado seus portfólios para o dólar. Esse movimento, que costuma ocorrer em momentos de forte crise internacional, tem desvalorizado moedas de todo o mundo, a coroa entre elas.

Mas a divisa norueguesa tem sido afetada ainda pela queda do preço do petróleo. A desvalorização do produto, base da economia do país, acompanha tanto a crise do coronavírus e também a guerra de preços declarada neste mês entre Rússia e Arábia Saudita. Só na quarta-feira, o preço do barril caiu 24%, para US$ 26.

Também na quarta-feira, pela manhã, 1 dólar americano valia 10,50 coroas em Oslo, mas, 20 horas depois, a cotação havia atingido 11,92 coroas por dólar. Esse é o pior patamar da moeda norueguesa desde 1971, momento em que o país começava assentar as bases de sua economia sobre o petróleo, descoberto na Noruega apenas dois anos antes. No intervalo de 11 dias até esta quinta, a coroa perdeu nada menos que 30% de seu valor.

Corte duplo nos juros

Nesta sexta-feira, em reunião extraordinária, o Norges Bank, o banco central norueguês, anunciou o corte da taxa básica de juros de 1% para 0,25%. A decisão foi tomada para tentar frear a desvalorização do moeda – e foi a segunda do gênero ocorrida no intervalo de uma semana. Na última sexta, o BC do país já havia cortado a taxa básico em meio ponto percentual. Com as reduções, os juros no país estão em seu menor nível em nada menos que 200 anos.

Há mais ineditismo nas medidas de defesa da moeda do país. Nesta quinta-feira, o Norges Bank informou que já considera intervir no mercado de câmbio, o que a autoridade monetária não faz desde 1999. Em tempos extremos, medidas extremas: a queda de 14% do valor da coroa nesta quinta foi a maior em um só dia registrada desde 1992, quando o país abandonou o regime de câmbio fixo.

Na frente econômica, o país já havia anunciado no último domingo um pacote de estímulo; as medidas asseguram às empresas norueguesas tanto garantia para empréstimos bancários quanto para a emissão de títulos corporativos. Ao todo, as garantias, que beneficiarão pequenas, médias e grandes empresas, somam 100 bilhões de coroas (R$ 47 bilhões).

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