Contra o “consumo excessivo”, sueca Ikea comprará móveis usados dos clientes

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Conhecida mundialmente por móveis com design e preços competitivos, IKEA aposta em ação de recompra de móveis como forma de frear consumo excessivo. (Foto: divulgação IKEA)

A sueca Ikea virou referência no mundo ao popularizar a compra de móveis, oferecendo peças com design e tecnologia a preços acessíveis no mercado onde atua. Porém esta facilidade gera críticas dos ambientalistas, que afirmam que a empresa incentiva o consumo desnecessário e, muitas vezes, gera lixo em excesso de seus clientes quando eles trocam a decoração de suas casas. Para mudar isso, a gigante começa a adotar medidas contra o “consumo excessivo”.

O grupo sueco anunciou que iniciará, no próximo mês, um programa global de recompra de móveis indesejados da Ikea, o chamado “Buy Back”, para evitar o  descarte desnecessário e incorreto de móveis por seus clientes, o que terá não apenas apelo ambiental, mas também econômico. Os clientes que venderem móveis receberão um cartão de reembolso da Ikea, sem data de validade, disse o comunicado. 

A condição do item vendido de volta à Ikea determinará o valor. Móveis Ikea em estado “novo”, sem arranhões, poderiam receber 50% do preço original, disse um  comunicado da empresa. Móveis em “muito bom” estado com pequenos arranhões podem receber 40% do preço original, e itens “usados”, com vários arranhões, podem receber 30% do preço original. Os itens serão revendidos como usados ​​na seção “As-Is” das lojas. Qualquer item que não puder ser revendido será reciclado ou doado para projetos das comunidades locais, disse a empresa. Nem todos os móveis estarão no programa.

A iniciativa contrasta com uma campanha de marketing agressiva que a Ikea usou no início dos anos 2000, encorajando os consumidores a substituir itens com mais frequência e rendendo à empresa algum desprezo por vender “móveis descartáveis” “Ao tornar a vida sustentável mais simples e acessível, a Ikea espera que a iniciativa ajude seus clientes a se posicionarem contra o consumo excessivo nesta Black Friday e nos próximos anos”, disse a empresa em um comunicado à imprensa, divulgado nesta semana.

A compra de produtos usados começará na Grã-Bretanha em 24 de novembro, pouco antes da Black Friday, principal data do varejo nos países avançados, com vendas impulsionadas por fortes descontos. O programa também será executado em outros 26 países, incluindo Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Rússia. A iniciativa não tem data de término na Grã-Bretanha ou Irlanda. 

Analistas, contudo, destacaram que os Estados Unidos, um dos maiores mercados da empresa sueca, não está nesta lista. O grupo sueco ainda está estudando como será a inclusão do país no programa em breve, mas garante que nesta Black Friday já prevê ações para evitar o consumo além do necessário. A Ikea não atua no Brasil, embora compre alguns de seus móveis de fabricantes brasileiros.

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