Como o coronavírus afetou as empresas aéreas da Escandinávia

Nos últimos dias, as principais companhias do setor na região anunciaram demissões temporárias de quase 25 mil pessoas; governos já sinalizam com socorro

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No chão: SAS, Norwegian e Finnair reduziram fortemente suas operações por causa do coronavírus

As empresas aéreas são, possivelmente, as mais afetadas pela pandemia causada pelo novo coronavírus. Se essa é uma realidade para o setor em todo o mundo, ela tem sido especialmente problemática para representantes escandinavas do segmento. Algumas das principais companhias aéreas da região já negociam medidas de socorro financeiro; em paralelo, anunciaram nos últimos dias demissões temporárias de quase 25 mil pessoas, segundo um levantamento feito pelo Scandinavian Way.

Veja a seguir uma radiografia de momento das empresas aéreas escandinavas em meio à crise do coronavírus.

Dinamarca e Suécia oferecem socorro à SAS

Para as empresas aéreas da Escandinávia, o baque da Covid-19 surgiu quando elas já enfrentavam dificuldades em outras frentes. No caso da Scandinavian Airlines (SAS), a queda da demanda vinha sendo o grande problema. Entre o fim de 2019 e o início de 2020, auge da temporada de inverno, a maior empresa aérea da Escandinávia teve menos passageiros do que o habitual para essa época. Depois, em fevereiro, o aumento do número de casos de Covid-19 na China fez despencar a venda de passagens para o país. Por fim, com o fechamento das fronteiras em vários países, os negócios foram interrompidos de vez.

Os governos da Dinamarca e da Suécia ofereceram socorro à companhia para tentar evitar o pior. Nesta terça-feira, os dois países informaram que darão 3 bilhões de coroas suecas (R$ 1,5 bilhão) em garantias de crédito à companhia, que dois dias antes havia anunciado o afastamento temporário de 10 mil funcionários, ou 90% de sua força de trabalho. Os Estados sueco e dinamarquês detêm, respectivamente, fatias de 14,82% e 14,24% na SAS.

Norwegian busca saídas – e teme colapso “em algumas semanas”

O caso mais delicado talvez seja o da Norwegian, afetada por um endividamento elevado e por uma crise que ela não podia prever: a do Boeing 737 MAX. A aeronave entrou em desgraça com dois acidentes, ocorridos em 2018 e 2019, nos quais todas as pessoas a bordo morreram. Após a segunda tragédia – ocorrida no Quênia com um voo da Ethiopian Airlines e que matou 157 pessoas -, o 737 MAX não voltou mais a decolar no mundo. Isso afetou diretamente a Norwegian, que operava 18 unidades do modelo (ou 11% de sua frota).

Na última semana, o CEO Jacob Schram pintou em cores berrantes a gravidade da situação da Norwegian. Segundo ele, sem uma injeção urgente de capital, a empresa estaria “a semanas, e não meses” de entrar em colapso. Com a crise do coronavírus, companhia reduziu drasticamente suas operações, o que inclui a demissão temporária de 7,3 mil funcionários.

O socorro dado à SAS nesta terça por Suécia e Dinamarca foi visto como um argumento adicional da Norwegian para convencer o governo da Noruega a fazer algo semelhante (o Estado norueguês se desfez de sua fatia na SAS em 2018). Essa expectativa somou-se a um rumor de mercado que circulou ao longo do dia: o de que o governo estaria disposto a nacionalizar a companhia. Com isso, as ações da Norwegian, que acumulam perda de 77% neste ano, fecharam o pregão desta terça em alta de quase 22%.

Como fica a Widerøe, principal empresa aérea regional da Escandinávia

Outra norueguesa, a Widerøe, é a maior empresa aérea regional da Escandinávia, mas não voar para outros países ou continentes não a deixou imune aos impactos do coronavírus. O sumiço dos passageiros levou a empresa a cancelar voos e demitir temporariamente mil funcionários.

Suas operações ficarão ainda mais restritas a partir desta quarta-feira. A data é a primeira de vigência da decisão da administradora estatal de aeroportos Avinor de fechar as operações de nove aeroportos regionais no país. A Widerøe será a empresa mais afetada pela medida.

Finnair afasta milhares de funcionários e reduz operações

As primeiras respostas da Finnair à crise do coronavírus foram anunciadas ainda em janeiro, quando a estatal finlandesa informou a suspensão de seus voos para a China. Depois disso, as medidas só se acentuaram; a lista incluiu a suspensão temporária dos contratos de trabalho de mais de 6 mil funcionários.

Nesta segunda-feira (16/3), em um novo contingenciamento, a empresa anunciou que, a partir de 1 de abril, suas atividades serão reduzidas em 90%. Só na segunda quinzena de março, a companhia deve cancelar entre 1,5 mil e 2 mil voos. Com a mudança programada para abril, a empresa, que normalmente opera em cerca de 110 destinos e faz 12 mil voos por mês, passará a atuar em não mais do que duas dúzias de rotas.

É verdade que, em comparação com outras empresas aéreas de peso da Europa, a Finnair tem um trunfo para contrabalançar os efeitos do coronavírus: a saúde de suas finanças. Nesta segunda-feira, a finlandesa informou que não pagaria dividendos sobre seus resultados de 2019. Em vez disso, ela usará os recursos para enfrentar as turbulências causadas pela pandemia.

Esse trunfo apareceu nesta semana também em um relatório da Capa, empresa de inteligência de mercado do setor aéreo. Segundo o comparativo, a liquidez da companhia é uma das mais elevadas do setor na Europa; suas receitas equivalem a 133 dias de operações, de acordo com o relatório, que considerou as finanças de dez das maiores companhias aéreas europeias.

Icelandair negocia reduções temporárias de salários

A Icelandair, a maior do setor na Islândia, tem reduzido paulatinamente sua estrutura operacional desde que os efeitos do coronavírus sobre a aviação começaram a aparecer. Segundo a companhia, sua capacidade já foi diminuída em 30% por causa da pandemia, e outras reduções ocorrerão, se for necessário.

Em paralelo, a empresa aérea islandesa já negocia com os sindicatos a redução temporária dos salários de seus funcionários, proposta que, se aceita, poderá evitar demissões ao longo da crise da Covid-19. A companhia – que já cortou em 25% sua projeção de demanda para a próxima temporada de verão – diz que sua liquidez segue em patamares parecidos com os registrados no fim de 2019. Ainda assim, ela admite que os efeitos do coronavírus serão sentidos em seu fluxo de caixa nas próximas semanas.

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