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Brasil se afasta dos nórdicos em ranking de liberdade de imprensa

Noruega, Finlândia, Dinamarca e Suécia são os quatro primeiros colocados no ranking 2020 elaborado pela Repórteres sem Fonteiras; Brasil caiu para 107°

Em liberdade de imprensa, o Brasil afastou-se ainda mais dos países nórdicos, que tradicionalmente se destacam em comparativos internacionais sobre o tema. O distanciamento foi atestado pela nova edição do ranking da organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, divulgada nesta terça-feira (21/4).

Pelo quarto ano seguido, a Noruega ficou em primeiro lugar na classificação da entidade. Na sequência apareceram, pela ordem, os também nórdicos Finlândia, Dinamarca e Suécia. Já o Brasil, que caiu pelo terceiro ano seguido, está agora em 107° lugar – o país apareceu em 102° em 2018 e em 105° no ano passado.

“A chegada de Jair Bolsonaro à presidência é a maior razão para a queda do Brasil no ranking nos últimos dois anos”, avalia a organização. “E a queda deve prosseguir, já que o presidente Bolsonaro, sua família e vários membros do seu governo insultam e humilham usam alguns dos principais jornalistas e meios de comunicação do país, alimentando um clima de ódio e desconfiança com quem trabalha com notícias e informação.”

A liberdade de imprensa tem sido posta à prova em todo o mundo – e isso também inclui os nórdicos, segundo a entidade. Na região, a Repórteres sem Fronteiras registrou aumento de ataques feitos contra jornalistas no ambiente digital. A organização afirma que há ações estrangeiras por trás desse crescimento. “De modo geral, na Escandinávia, a violência nas redes mais agressiva contra os jornalistas é organizada a partir China e do Irã”, diz o relatório.

Ataques a jornalistas brasileiros na pandemia

O ranking tem um capítulo dedicado exclusivamente a analisar o grau de liberdade dos jornalistas na cobertura da crise do coronavírus. Também nesse quesito houve um alerta sobre o cenário brasileiro. “O presidente [Jair Bolsonaro] promove sistematicamente um clima de ódio e de desconfiança em relação à imprensa. Na pandemia, o governo federal redobrou os ataques, questionando quase que diariamente a cobertura da crise sanitária.”

O ranking da Repórteres sem Fronteiras não compara a qualidade dos veículos de comunicação, mas sim o grau de liberdade que os jornalistas têm para trabalhar em cada país. Para elaborar a lista, a entidade aplica um questionário de 87 perguntas a profissionais de mídia, advogados e sociólogos que se dedicam ao tema. As respostas são parte do levantamento, que também se baseia em estatísticas sobre perseguição e violência contra os jornalistas.

Os 180 países do ranking são divididos em cinco grupos, de acordo com o nível de liberdade. Todos os países nórdicos estão no primeiro grupo (incluindo a Islândia, que apareceu em 15 lugar), o de “boa situação”. O Brasil está no terceiro grupo, de “situação sensível”, atrás de países como Timor Leste (78°), Haiti (83°) e Etiópia (99°). Em 107°, o Brasil está agora apenas quatro degraus acima do penúltimo grupo, os dos países considerados em “situação difícil”. Entre eles estão Nicarágua (117°), Afeganistão (122°) e Filipinas (136°). A Coreia do Norte é a última colocada.

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