Após queda livre, coroa norueguesa vira “porto seguro” na crise

Política fiscal que limita alta da dívida pública ajuda a fortalecer a moeda do país, que chegou a perder um terço de seu valor no primeiro trimestre

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Força norueguesa: entre março e o início de julho, a coroa já subiu cerca de 20%
Força norueguesa: entre março e o início de julho, a coroa já subiu cerca de 20% (Foto: Denise Jans)

Há apenas poucos meses, a coroa norueguesa estava em queda livre, afetada pelo surgimento do novo coronavírus e pela recuo do preço do petróleo. Em meados de março, a moeda chegou a perder 14% de seu valor em relação ao dólar no intervalo de apenas 24 horas (o Scandinavian Way contou essa história aqui). Agora, o bom desempenho da Noruega na luta contra a pandemia e a política fiscal do país, que permite limitar seu endividamento, já dão à divisa o status de porto seguro na crise global.

Em momentos de incerteza como o atual, gestoras de recursos, fundos de pensão e outros grandes investidores internacionais recorrem ao dólar, uma moeda forte, como proteção contra perdas. Mas, à medida que surgem sinais de retomada da economia em diferentes partes do mundo, a tendência é que o dólar se desvalorize, já que esses mesmos investidores redirecionam seus recursos para investimentos que deem mais retorno.

É o que tem ocorrido nas últimas semanas – e que deve se manter, ao menos por ora, segundo um relatório recente do Goldman Sachs. Na comparação com outras moedas, a coroa norueguesa acaba sendo a de melhor custo-benefício, argumentam os analistas do banco. Ao mesmo tempo que tem se valorizado, dizem, ela oferece menos risco que outras opções no mercado internacional de câmbio.

Diferenciais noruegueses

De acordo com o relatório, um dos diferenciais da Noruega em relação a outros países é sua capacidade de injetar recursos na economia sem que isso signifique mais endividamento público. Em vez da emissão de dívida, a política fiscal norueguesa prevê repatriamento de recursos. O Goldman Sachs também acredita que, por ora, o banco central do país não fará mudanças nas taxas de juros, o que sustenta essa valorização.

No primeiro trimestre, a coroa perdeu um terço de seu valor; no auge, atingindo no dia 20 de março, segundo a agência Bloomberg, ela fechou cotada a 11,7 coroas por dólar. Mas, desde então, a divisa norueguesa tem recuperado sua força. Entre o pico e esta segunda-feira (6/7), quando encerrou negociada por 9,39 por dólar, a moeda já subiu cerca de 20%. Sua cotação não fecha acima de 10 coroas por dólar desde o fim de maio.

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